(67) 9 9689-6297 | ocontribuintebr@gmail.com

Bolsonaro estaria disposto a apoiar Tarcísio em 2026 com Michelle de vice

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estaria decidido a abrir mão da disputa direta à Presidência da República em 2026, em nome de um projeto político considerado mais viável e estratégico: lançar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como candidato à Presidência, tendo sua esposa, Michelle Bolsonaro, como vice.

A informação foi publicada inicialmente pelo colunista Guilherme Amado, do portal Metrópoles, e confirmada por aliados próximos do ex-presidente. Bolsonaro tem confidenciado a interlocutores que Tarcísio reúne atributos de “gestor técnico” com credibilidade nas Forças Armadas, enquanto Michelle manteria o vínculo afetivo com o eleitorado evangélico e conservador, base essencial do bolsonarismo.

O papel de Michelle

Desde que Bolsonaro foi tornado inelegível pelo TSE, em 2023, Michelle vem sendo apresentada como o “plano B” da direita. Ela já preside o PL Mulher e tem viajado o país, participando de eventos religiosos, políticos e comunitários. A avaliação interna é de que, mesmo sem experiência administrativa, ela tem o apelo carismático e moral necessário para compor uma chapa de forte identificação popular.

Bolsonaro, porém, vê em Tarcísio o nome mais sólido para encabeçar a chapa, e estaria disposto a bancar o projeto mesmo que isso signifique deixar definitivamente a disputa presidencial. A ideia da chapa Tarcísio-Michelle vem ganhando força também dentro do PL, que vê nela um caminho para manter a força eleitoral da direita sem depender exclusivamente do ex-presidente.

Resistências e articulações

Apesar da simpatia da base bolsonarista, a possível chapa enfrenta resistências dentro da própria direita. Alguns parlamentares mais ligados ao núcleo ideológico do bolsonarismo consideram Tarcísio “moderado demais”, principalmente após episódios em que o governador defendeu ações do STF e tomou distância de declarações mais radicais de Bolsonaro.

Por outro lado, o Centrão enxerga Tarcísio como um nome palatável, com boa relação com o empresariado e perfil técnico. A chapa com Michelle como vice teria, portanto, o equilíbrio considerado ideal: competência administrativa com apelo emocional-religioso, sem o peso de inelegibilidades ou processos judiciais diretos.

O pano de fundo de 2026

A construção da candidatura ocorre em um cenário de incertezas jurídicas e políticas. Bolsonaro ainda enfrenta diversas ações penais no STF, relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023 e à suposta tentativa de golpe. Mesmo fora da disputa, o ex-presidente atua como líder informal da direita, e seu apoio será decisivo na corrida eleitoral.

Tarcísio, por sua vez, evita antecipar movimentos. Publicamente, diz estar focado no governo paulista e não comenta projetos nacionais. Nos bastidores, porém, já autorizou emissários a conversar com partidos como Republicanos, PL e PP, sondando possíveis apoios.

Michelle mantém o tom discreto, mas já reforçou sua equipe de comunicação e redes sociais, além de intensificar sua agenda de visitas a templos e lideranças evangélicas.