A tragédia que abalou a cidade de Rio Verde, interior do Estado, segue sob investigação. Na última sexta-feira, 13, uma criança de apenas 2 anos de idade atirou acidentalmente contra a própria mãe, uma mulher de 27 anos, que morreu no hospital após ser baleada dentro de casa. A principal linha de investigação aponta que o menino teve acesso à arma de fogo do pai, um revólver calibre .38, que estava em local desprotegido.
Segundo os depoimentos prestados à polícia, o pai afirmou que não viu o filho com a arma antes do disparo. A informação foi confirmada pela delegada responsável pelo caso, Anne Karine Trevisan, em entrevista ao G1:
“O pai disse, em depoimento, que não viu o filho com a arma. Afirmou que ela estava no guarda-roupa. Quando ouviu o barulho do disparo, correu e viu a companheira baleada”, declarou a delegada.
Arma estava em cima do guarda-roupa
Conforme o que foi apurado pela Polícia Civil até agora, a arma do crime pertencia ao pai da criança e não estava registrada. Ela teria sido deixada em cima do guarda-roupa, fora de qualquer cofre, destravada e carregada. O menino teria conseguido pegar o revólver e, ao manuseá-lo, efetuou o disparo acidental que atingiu a mãe.
Tainara foi socorrida ainda com vida pelo próprio companheiro, mas não resistiu ao ferimento e morreu no hospital municipal da cidade. O caso foi registrado como homicídio culposo (sem intenção), e o pai poderá responder também por posse irregular de arma de fogo.
Criança não será responsabilizada
Por se tratar de uma criança com apenas dois anos de idade, ela não pode ser responsabilizada criminalmente. A investigação, no entanto, apura a responsabilidade dos adultos pela tragédia, principalmente pela negligência em relação à guarda da arma.
“O fato de deixar uma arma ao alcance de uma criança é, por si só, extremamente grave e configura, no mínimo, negligência”, explicou a delegada.
O Conselho Tutelar foi acionado e acompanha o caso para garantir a proteção e o suporte psicológico à criança, que ficou órfã de mãe.
Arma e celulares apreendidos
A arma do crime foi apreendida, e a perícia já foi realizada no local. Celulares da vítima e do companheiro também foram recolhidos para análise, a fim de verificar se há troca de mensagens ou registros que possam auxiliar nas investigações.
Comoção e debate
O caso gerou comoção nacional e reabriu o debate sobre armazenamento seguro de armas de fogo, especialmente em residências com crianças. Especialistas em segurança alertam que armas nunca devem estar acessíveis, mesmo que os pais acreditem que crianças muito pequenas não tenham força ou entendimento para manuseá-las.
A Polícia Civil deve concluir o inquérito nos próximos dias e encaminhar à Justiça, que avaliará a eventual responsabilização do pai da criança.