Em mais uma disputa acirrada no Congresso Nacional, o PT registrou sua maior adesão ao polêmico projeto que prevê o aumento da conta de luz dos consumidores. Dos 68 deputados petistas que participaram da votação na Câmara, 63 votaram a favor, o que corresponde a impressionantes 92 % da bancada.
O projeto, originado inicialmente como incentivo à geração de energia eólica em alto-mar, sofreu alterações durante a tramitação. Foram incluídas “jabutis” (emendas desconectadas do tema principal) que estendem subsídios a termelétricas a gás e carvão, medidas criticadas por vários setores como onerosas ao consumidor.
Segundo a Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace), os efeitos dessas alterações podem elevar os encargos tarifários em cerca de R$ 17,5 bilhões ao ano, um impacto estimado em até 7,5 % na conta de luz dos brasileiros.
Reações do mercado e da sociedade
Diversas associações do setor elétrico, como a União pela Energia (que representa cerca de 70 entidades), criticaram veementemente a medida, alertando para os riscos inflacionários e o agravamento da competitividade da indústria brasileira .
A Frente Nacional dos Consumidores de Energia classificou o apoio dos deputados como “insano”, afirmando que a transferência de subsídios para termelétricas — em especial a gás e carvão — representa uma afronta ao bolso das famílias
O texto segue agora para decisão no Senado. Parlamentares alinhados ao Planalto já sinalizaram que tentarão negociar vetos específicos às emendas mais controversas — especialmente aquelas que prolongam subsídios a fontes poluentes até 2050 .
No entanto, a bancada petista na Câmara já demonstrou força e unidade, e, mesmo diante das críticas públicas sobre os efeitos para as contas de luz, optou pelo apoio quase unânime.