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Com medo de reação de Trump, STF suspende cúpula do Judiciário do Brics

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu suspender a cúpula do Judiciário do BRICS, prevista para ocorrer em Brasília no dia 11 de agosto. A decisão, confirmada nesta quarta-feira (24), ocorre em meio a crescentes tensões diplomáticas com os Estados Unidos, após declarações e ações do governo Trump contra ministros da Corte brasileira.

O evento reuniria presidentes das supremas cortes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, com a proposta de fortalecer a cooperação jurídica entre os países membros do bloco. No entanto, segundo apurou a reportagem, pesaram na decisão do STF fatores como a ausência de confirmação de várias delegações internacionais e, sobretudo, o temor de uma escalada nas sanções norte-americanas.

Fontes internas da Corte revelam que ministros passaram a avaliar o encontro como um “risco diplomático desnecessário” após Washington indicar, de forma velada, a possibilidade de ampliação das represálias a autoridades brasileiras envolvidas nas decisões contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Medidas já adotadas por Trump

No início de julho, o governo Trump impôs uma tarifa de 50% sobre alguns produtos brasileiros, em resposta direta ao avanço de investigações conduzidas pelo ministro Alexandre de Moraes no STF. Além disso, informações de bastidores apontam que vistos diplomáticos de ao menos dois ministros do Supremo já teriam sido suspensos, como forma de retaliação simbólica.

A avaliação no Itamaraty é que a realização da cúpula do BRICS, neste contexto, poderia ser interpretada como um gesto de alinhamento com os interesses geopolíticos da China e da Rússia, dois alvos constantes da política externa americana. “É preciso pesar os custos de imagem institucional diante do cenário atual”, afirmou uma fonte ligada à presidência da Corte.