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Trump endurece a agenda com nova onda de sanções contra o governo Lula

Os Estados Unidos, sob liderança do presidente Donald Trump e com execução diplomática do Secretário de Estado Marco Rubio, ampliaram nesta quarta-feira (13) o pacote de sanções contra o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A nova medida inclui a revogação de vistos de Mozart Julio Tabosa Sales, atual secretário no Ministério da Saúde, e de Alberto Kleiman, ex-coordenador-geral da COP30, ambos com histórico de atuação no programa Mais Médicos.

Segundo o governo norte-americano, a iniciativa teria servido como canal de “exportação de trabalho forçado” por Cuba, prática condenada por tratados internacionais e apontada como instrumento de influência geopolítica do regime de Havana.

A ação diplomática integra uma ofensiva mais ampla, que já havia imposto barreiras comerciais significativas: em abril, foi decretada uma tarifa-base de 10% sobre importações brasileiras, elevada para 50% em julho, com aplicação efetiva a partir de 1º de agosto. Trump justificou as medidas citando desequilíbrio comercial, apesar de dados oficiais apontarem superávit de USD 7,4 bilhões para os EUA em 2024.

No campo jurídico, a Lei Magnitsky foi utilizada para sancionar o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, acusado de violar direitos humanos e censurar opositores — especialmente por ordens de suspensão de perfis no X (antigo Twitter) ligados a apoiadores de Jair Bolsonaro. A sanção incluiu congelamento de bens, bloqueio de transações e proibição de entrada nos EUA para Moraes, familiares e aliados.

REAÇÃO DE LULA

O presidente brasileiro reagiu de forma dura, classificando a medida como “interferência inaceitável” e comparando o caso do 8 de Janeiro ao ataque ao Capitólio em 2021, sugerindo que Trump também seria processado em território nacional caso estivesse sob a jurisdição brasileira.

O governo anunciou o plano “Brasil Soberano”, com R$ 30 bilhões (cerca de USD 5,5 bilhões) destinados a crédito, incentivos fiscais, seguro e apoio à indústria exportadora, na tentativa de amortecer o impacto das tarifas e acelerar a diversificação de mercados, com foco na Ásia e no Oriente Médio.

GUERRA COMERCIAL E EFEITOS POLÍTICOS —

Analistas avaliam que a escalada pode provocar o chamado “efeito bandeira”, fortalecendo o discurso nacionalista e aumentando o apoio interno a Lula, mesmo diante de críticas à condução econômica. Paralelamente, a crise pode acelerar a aproximação brasileira com parceiros estratégicos como China e Índia, enfraquecendo o peso geopolítico dos EUA no comércio sul-americano.

A relação entre Brasília e Washington já vinha se deteriorando desde que diplomatas norte-americanos criticaram publicamente o processo contra Bolsonaro, o que levou o Itamaraty a convocar o encarregado de negócios dos EUA e acusar o país de “chantagem política”.

Com as novas sanções, o confronto diplomático e econômico entra em uma fase mais tensa, com impactos diretos sobre exportadores, cadeias produtivas e a já instável relação de confiança entre os dois países. Para setores conservadores, Trump age com firmeza contra regimes e figuras associadas a práticas autoritárias; para o Planalto, é um ataque frontal à soberania nacional.