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Azambuja vai para o PL, mas enfrenta desafio de ‘conquistar bolsonaristas’

O ex-governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, confirmou em reunião com o presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, nesta segunda-feira, 18, que está de saída do partido após quase três décadas de militância tucana. A expectativa é de que o anúncio oficial de sua filiação ao PL ocorra ainda nesta semana, em movimento que deve colocá-lo no comando da sigla no Estado.

Apesar da movimentação, a chegada de Azambuja não é recebida de forma unânime. Dentro do PL, setores da ala bolsonarista demonstram forte resistência ao nome do ex-governador. Além dos processos que pesam sobre ele, críticos apontam que Reinaldo não tem se posicionado em defesa explícita do ex-presidente Jair Bolsonaro, alvo de acusações que seus apoiadores classificam como perseguição jurídica.

Um dos episódios que reforçou essa percepção ocorreu durante a decretação da prisão domiciliar de Bolsonaro. Enquanto líderes da direita se manifestaram de imediato, Azambuja só se posicionou dias depois, o que gerou desconfiança entre os mais fiéis ao ex-presidente.

Outro ponto de atrito é a falta de engajamento do ex-governador nas bandeiras centrais do bolsonarismo. Fim do foro privilegiado, impeachment do ministro Alexandre de Moraes e anistia aos presos e condenados pelos atos de 8 de janeiro são hoje os temas mais caros à base bolsonarista, mas até agora Reinaldo tem evitado declarações sobre essas pautas.

Com um perfil mais pragmático e moderado, Azambuja aposta na reorganização partidária e no peso de sua experiência política para consolidar sua liderança dentro do PL. Ainda assim, deve enfrentar uma série de cobranças nos próximos dias, sobretudo de eleitores de direita, que querem clareza sobre sua posição em relação às principais pautas do bolsonarismo. Por enquanto, a filiação se desenha como uma vitória institucional, mas com um custo político de resistência interna.

O movimento ocorre na mesma semana em que o atual governador, Eduardo Riedel, também rompe com o PSDB e oficializa filiação ao Progressistas (PP), em Brasília. A saída quase simultânea de duas das principais lideranças tucanas do Estado deve redesenhar por completo o mapa político de Mato Grosso do Sul, deixando o PSDB enfraquecido e fortalecendo siglas alinhadas à direita.

Lideranças que devem acompanhar

Nos bastidores, a expectativa é de que Azambuja não vá sozinho para o novo partido. Entre os nomes praticamente certos estão a deputada Mara Caseiro, cotada para disputar uma vaga de deputada federal em 2026, o deputado estadual Zé Teixeira e o deputado Jamilson Name.

Mara e Jamilson, inclusive, estiveram entre os que saíram em defesa pública de Bolsonaro logo após a decretação da prisão domiciliar, sinalizando afinidade com o ex-presidente e maior sintonia com a base bolsonarista. Esses movimentos podem ajudar a equilibrar a chegada de Azambuja, que tem perfil mais pragmático, com nomes considerados mais simpáticos a Bolsonaro.

Além dos parlamentares, a expectativa é de que prefeitos também acompanhem a mudança de Azambuja, reforçando a presença do PL no interior do Estado e dando musculatura para a legenda nas eleições.