Prefeito de Terenos e grupo são presos em operação que apura desvio milionário
O prefeito de Terenos, Henrique Budke (PSDB), foi preso na manhã desta terça-feira (9) durante a Operação Spotless, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) em parceria com o Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção). A investigação aponta que o gestor seria o líder de um esquema que desviou pelo menos R$ 15 milhões dos cofres públicos por meio de fraudes em licitações e pagamento de propina.
Além do prefeito, foram expedidos 16 mandados de prisão e 59 de busca e apreensão em Terenos e em Campo Grande. A operação contou com apoio da Polícia Militar, por meio do Batalhão de Choque e do Bope.
Como funcionava o esquema
Segundo o Ministério Público, servidores públicos manipulavam editais de licitação para favorecer empresas ligadas ao grupo. As concorrências eram apenas de fachada, simulando disputa entre empresas, mas com resultados previamente direcionados.
O esquema também envolvia o pagamento de propina a servidores, que atestavam falsamente a entrega de produtos e serviços nunca realizados. Além disso, eles aceleravam liberações de notas fiscais e pagamentos de contratos fraudulentos.
As provas que embasaram a operação foram obtidas com autorização judicial, a partir de mensagens e dados apreendidos em celulares durante a Operação Velatus, realizada em agosto de 2024. O material teria confirmado a participação direta do prefeito como chefe da organização criminosa.
Quem é Henrique Budke
Natural de Santa Maria (RS), Budke tem 38 anos e completa 39 em outubro. Engenheiro de formação, ele se elegeu prefeito de Terenos em 2020 pelo PSDB, em sua primeira disputa eleitoral, com apoio de partidos como PDT e MDB.
Reeleito em 2024 pela federação PSDB-Cidadania, Budke também recebeu apoio de siglas como Republicanos, PSD, Podemos, PT, PCdoB e PV. O patrimônio declarado pelo político praticamente triplicou entre as duas eleições, passando de pouco mais de R$ 776 mil para R$ 2,4 milhões.
Durante sua trajetória, acumulou proximidade com lideranças tucanas, em especial com o deputado federal Beto Pereira (PSDB), ex-prefeito de Terenos e figura central no partido em Mato Grosso do Sul.
O significado da operação
Batizada de “Spotless”, expressão em inglês que significa “sem manchas”, a operação simboliza a busca por processos de contratação limpos e sem irregularidades na administração pública. O Gaeco destacou que a investigação revelou núcleos bem estruturados dentro da prefeitura, que agiam para desviar recursos públicos de maneira sistemática.
Com a prisão de Budke, o futuro político de Terenos entra em xeque. O caso agora segue em investigação, e o Ministério Público deve apresentar novas denúncias com base nas provas coletadas.