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Canonização de Carlo Acutis: santidade autêntica ou marketing religioso?

A decisão do Vaticano de canonizar Carlo Acutis, o chamado “primeiro santo millennial”, apesar da paixão popular em algumas instâncias, merece uma análise crítica aprofundada que vai além do marketing religioso e das narrativas idealizadas.
Em primeiro lugar, a canonização acelerada de um jovem de apenas 15 anos levanta sérios questionamentos quanto à maturidade espiritual e à experiência de vida utilizada para tal reconhecimento. A santidade, conforme a tradição católica, e também perante as igrejas Ortodoxas genuínas, exige um testemunho consistente e prolongado de virtudes heróicas, algo difícil de comprovar em alguém tão jovem, cuja vida, por sua própria natureza, foi breve e ainda em desenvolvimento.

Além disso, a construção midiática sobre Carlo Acutis como santo influenciador digital evidencia um uso instrumental da fé para atingir públicos específicos, especialmente adolescentes e jovens conectados ao mundo virtual. Tal abordagem suscita dúvidas sobre a profundidade do legado espiritual real do jovem, indicando que seu culto pode estar mais relacionado a uma estratégia contemporânea de evangelização adaptada ao “mercado” ou marketing da religião do que à proteção da santidade.

A polêmica exposição pública do corpo de Carlo também aponta para questões éticas importantes. Tal prática, embora tradicional na Igreja, parece destruir os valores contemporâneos de respeito pela integridade humana e pela memória dos mortos, além de gerar desconforto em muitos fiéis e críticos.
Tanto mais considerando que o corpo do suposto ‘’santo’’Carlo Acutis não está verdadeiramente incorrupto, trata-se de uma máscara de silicone feito com impressora 3D para causar tais impressões equivocadas nos fiéis mais ingênuos, de forma semelhante ao esquema de manipulação da fé na chamada ‘’Santa do Mel’’, que ocorreu anteriormente em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, gerando uma suspeita de idolatria contrária à Bíblia.

Diante dessas reflexões, é preciso uma atenção mais cautelosa e transparente por parte do Vaticano, priorizando a substância espiritual e a segurança histórica sobre o apelo midiático e interesses institucionais. A santidade não deve ser objeto de estratégias de imagem ou de pressão política, mas um testemunho genuíno e inspirador para toda a comunidade de religião.

A canonização de Carlo Acutis, portanto, não deveria ocorrer sem uma avaliação mais rigorosa e sem lugar para as contestações legítimas que vêm se acumulando. A Igreja precisa refletir sobre o que realmente significa considerar um santo neste século, para não reduzir um processo espiritual sagrado a mais uma pauta de marketing institucional. Esta posição crítica é necessária para garantir que a santidade continue sendo um valor autêntico e respeitado, e não um produto de conveniência.
Este artigo de opinião é fundamentado em informações e críticas levantadas pela imprensa internacional, entre elas a revista The Economist, e reflete as controvérsias atuais sobre a canonização de Carlo Acutis.

Foi encontrada uma importante matéria crítica publicada pela revista The Economist em março de 2025 intitulada “Thesecret life of the first millennial saint” (A vida secreta do primeiro santo millennial), que começou a desmascarar a canonização de Carlo Acutis, um jovem italiano que se tornou o “santo padroeiro da internet”. A reportagem e as campanhas subseqüentes levantaram várias objeções relevantes e controvérsias em torno da decisão do Vaticano, que se tornaram alvos de debate público e midiático internacional.

Essas críticas destacam pontos como:
1. A canonização acelerada e talvez motivada por interesses externos, incluindo a influência da mãe de Carlo e a construção midiática de sua imagem como um santo ideal para atrair jovens à Igreja.

2. Questionamentos sobre sua real maturidade espiritual e se, aos 15 anos, Carlo teria vivido o suficiente para comprovar os atributos de santidade, mesmo considerando sua dedicação religiosa e atividade com um site sobre milagres e eucaristia.

3. Críticas morais em relação à sua origem levando à dúvida se sua santidade não teria elementos de idealização protegida construída, tendo em vista que não era venerado ou conhecido na Itália e não era reconhecido como ‘’santo’’ pelo povo italiano, violando o princípio jurídico canônico da territorialidade e autocefalia das igrejas, que é previsto no Direito Canônico, para canonizações verdadeiras ou genuínas, o que não é o caso, pois essa etapa foi interpolada em seu processo canônico.

4. Discussões sobre o modo como seu corpo foi exumado e exposto ao público, o que algumas almas consideram uma prática de mau gosto ou mesmo abusiva, causando desconforto e levantando questões éticas.

Desconfiança em relação à imagem midiática do “influencer de Deus”, e se este marketing religioso desvia do verdadeiro significado da santidade, produzindo um santo mais adequado ao consumo contemporâneo do que à real profundidade espiritual.

Essa conjuntura sugere que a canonização de Carlo Acutistem sido instrumento de controvérsias que envolvem aspectos teológicos, sociais, midiáticos e éticos, os quais também foram questionados pelo Professor Rafael Queiroz, importante historiador e pensador do Rio de Janeiro com forte presença em seu canal do Youtube, colocando sob suspeitas a legitimidade e a conveniência dessa escolha como modelo de santidade para a juventude do século XXI.

Artigo de opinião: Luiz Corrêa Pereira