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Fux cita eventos violentos da esquerda e afirma que o que os Black Blocs faziam era muito pior

Durante o julgamento desta quarta-feira (10), o ministro Luiz Fux fez um duro contraponto ao comparar os atos de 8 de janeiro de 2023 com episódios de violência política ocorridos no Brasil nos últimos anos. Em sua fala, o magistrado destacou que “não se pode fechar os olhos para a atuação de grupos de esquerda”, citando os chamados Black Blocs, que, segundo ele, “praticavam atos muito mais violentos” em manifestações passadas.

O ministro ressaltou que, embora o julgamento em andamento trate da responsabilização de acusados ligados aos atos contra as sedes dos Três Poderes, é necessário manter um parâmetro de proporcionalidade e coerência na aplicação da Justiça.

“Os Black Blocs quebravam, incendiavam, depredavam e agrediam pessoas em plena luz do dia, durante protestos que se repetiram em várias capitais brasileiras. Se a comparação for feita de forma justa, o que eles faziam era muito pior”, disse Fux, chamando atenção para a seletividade das narrativas políticas sobre violência.

A fala do ministro ocorreu em meio às discussões sobre a possibilidade de responsabilização criminal de figuras políticas por suposta “influência” ou “incitação indireta” nos atos do 8 de janeiro. Para Fux, é preciso diferenciar quem de fato executou atos de violência de quem apenas manifestou opiniões políticas.

O voto de Luiz Fux foi visto como um dos mais duros contrapontos dentro do Supremo Tribunal Federal no julgamento desta semana, marcado por embates sobre liberdade de expressão, responsabilidade penal e garantias constitucionais.

Com a lembrança dos Black Blocs, Fux também trouxe ao debate a crítica de que parte da opinião pública e do meio político trata de maneira desigual episódios de violência quando eles partem de campos ideológicos diferentes.

O julgamento segue em andamento e deve se estender pelos próximos dias, com expectativa de votos de outros ministros ainda nesta semana.