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Gaeco aponta que prefeito de Terenos usou propina para comprar fazenda e empresas

A investigação que levou à prisão do prefeito de Terenos, Henrique Wancura Budke (PSDB), revelou um esquema sofisticado de enriquecimento ilícito. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o político teria transformado recursos oriundos de propina em imóveis rurais e participação em empresas, ampliando de forma exponencial seu patrimônio em apenas quatro anos.

A chamada Operação Spotless, deflagrada nesta semana, apura fraudes em licitações que movimentaram ao menos R$ 15 milhões em contratos públicos. O prefeito, apontado como chefe da organização criminosa, teria recebido diretamente cerca de R$ 611 mil em propinas, valor que, segundo os investigadores, foi reinvestido para inflar seu patrimônio pessoal.

Crescimento patrimonial explosivo

De acordo com o relatório obtido pela investigação, entre a eleição de 2020 e a de 2024, Henrique registrou um aumento patrimonial de 691%. Enquanto na primeira disputa eleitoral havia declarado valores modestos, na última campanha já aparecia com bens que somavam milhões de reais.

Quando cruzaram os dados, os promotores identificaram que os valores declarados estavam muito abaixo do preço de mercado. É o caso da Fazenda Ipê Amarelo, em Aquidauana, adquirida por R$ 1,5 milhão pagos à vista. Contudo, perícia apontou que propriedades semelhantes na região ultrapassavam R$ 4,35 milhões, uma diferença de quase R$ 3 milhões que não teria sido justificada.

Empresas usadas para inflar fortuna

O suposto uso de dinheiro ilícito também aparece nas participações societárias do prefeito. Na Resilix Ltda, por exemplo, Budke declarou ter entrado com apenas R$ 1 mil, referente a uma cota de 33%. Entretanto, pouco tempo depois, o capital social da empresa saltou para R$ 2,23 milhões, o que equivaleria a uma participação de R$ 745,9 mil em nome do prefeito.

Para o Gaeco, esse movimento financeiro é “claramente incompatível” com o rendimento do cargo público, sugerindo que parte das propinas recebidas nas fraudes licitatórias foi direcionada para turbinar a atuação empresarial de Budke.

Esquema com múltiplos envolvidos

O prefeito não agia sozinho. Na mesma operação, foram presas outras 11 pessoas, entre empresários, servidores e até um policial militar do Batalhão de Choque, o terceiro-sargento Fábio André Hoffmeister Ramires. Segundo a denúncia, todos faziam parte de uma rede voltada a fraudar processos licitatórios, simular concorrência e desviar recursos da Prefeitura de Terenos.

Entre os detidos estão Sandro José Bortoloto, apontado como operador financeiro do esquema; Eduardo Schoier, empresário acusado de atuar como “testa de ferro” em repasses de propina; e o ex-secretário de Obras, Isaac Cardoso Bisneto, considerado peça-chave na manipulação de editais.

Conclusão dos investigadores

O Gaeco sustenta que o enriquecimento do prefeito não pode ser explicado apenas pelos salários recebidos como gestor público. “Somados os valores de mercado dos bens e a participação real em empresas, o patrimônio de Henrique Budke chegaria em 2024 a R$ 6,1 milhões, evidenciando forte indício de lavagem de dinheiro oriundo de propina”, conclui o relatório.

Budke, reeleito em 2024, agora enfrenta acusações de liderar uma organização criminosa que teria desviado milhões dos cofres públicos de Terenos. O caso segue em análise pelo Ministério Público e pela Justiça.