Caso ocorrido em 6 de setembro expôs falta de transparência, pressão política e ataques contra mulheres que defendem regras oficiais
No último dia 6 de setembro, um episódio marcou profundamente o futebol feminino amador de Campo Grande. O time Leoas CG se recusou a entrar em campo após a equipe adversária, Fênix, escalar uma atleta trans em um campeonato anunciado como torneio de futebol feminino na Arena Tony Gol.
O organizador da competição, pressionado pela equipe Fênix e com receio de represálias, autorizou a participação da atleta trans. Em seguida, declarou W.O. contra as Leoas, interpretando o ato como desistência. A decisão revoltou jogadoras e gerou repercussão negativa entre torcedoras e apoiadores.

Regulamento da Federação é claro
Embora a Federação de Futebol do Mato Grosso do Sul não tenha se manifestado sobre o episódio, apuração de O Contribuinte confirmou que, nos campeonatos locais, o regulamento estabelece que a inscrição de atletas no futebol feminino deve ser feita com base na certidão de nascimento.
Portanto, uma atleta nascida do sexo masculino não poderia disputar competições femininas. Para as Leoas, a regra foi simplesmente ignorada. “Não houve descumprimento de regulamento da nossa parte. Quem não respeitou as normas foi a organização, que colocou uma atleta trans para jogar entre mulheres”, destacou o time.
Fênix e o discurso da “inclusão”
Neste domingo, 14, a equipe Fênix voltou a campo levando faixas coloridas com frases como “pelo direito de ser e existir também nos campos de futebol”. A cena foi amplamente divulgada nas redes sociais e contou com o apoio do organizador, que se apresentou como defensor da inclusão.

Para as Leoas, no entanto, trata-se de uma narrativa construída para inverter papéis e criminalizar quem apenas defendeu as regras do esporte feminino. “Nosso time foi massacrado. Saímos do campeonato, mas isso não foi suficiente. Queriam nos pintar como transfóbicas para ganhar aplausos e likes”, desabafaram.
Pressão e falta de transparência
Segundo denúncias das Leoas, após a decisão polêmica, o organizador da Arena Tony Gol passou a ligar para outros times femininos implorando para que não abandonassem o campeonato.
“As jogadoras que antes diziam que não jogariam contra homem voltaram atrás depois dessas ligações. Houve falta de transparência e até compra de silêncio nos bastidores”, afirmam as atletas.
Além disso, as Leoas revelaram que inicialmente o organizador havia prometido suspender a partida para avaliar a situação, mas, em seguida, voltou atrás e decretou o W.O. “Ele não quis tomar posição e acabou tomando, contra nós”, lamentaram.
Ataques virtuais e tentativa de silenciamento
Após o episódio, as Leoas sofreram uma onda de ataques nas redes sociais. Comentários chamando as atletas de transfóbicas se multiplicaram, denúncias falsas foram feitas contra o perfil do time no Instagram e até uma nota de repúdio foi publicada contra a equipe.
“O pessoal tentou até derrubar nossa página com denúncias falsas. Recebemos notificações do próprio aplicativo. Foi uma semana inteira de ataques, com ameaças de processo e pressão psicológica. Isso é discriminação invertida contra mulheres”, afirmam.
Mulheres perdem espaço no próprio esporte
O saldo final do conflito é revelador: um time formado apenas por mulheres abandonou a competição, enquanto uma atleta trans permaneceu em campo.
“Não deixamos o campeonato por transfobia, mas porque foi anunciado como futebol feminino. Mulheres contra mulheres. O que aconteceu foi uma injustiça. No fim, quem perde espaço somos nós, porque muitas têm medo de represálias e acabam aceitando caladas”, reforçam as Leoas.