Na última segunda-feira (15), Mayara Barros anunciou oficialmente sua renúncia à presidência da Juventude do PSDB em Campo Grande e ao cargo de secretária de Relações Institucionais da Juventude Nacional do partido. A decisão foi comunicada por meio de uma nota oficial e de uma carta de renúncia, onde a jovem liderança tucana destacou anos de dedicação ao partido, mas também revelou um histórico de violência doméstica, perseguições, pressões psicológicas e institucionais que marcaram sua trajetória recente.
Militante do PSDB desde 2016, Mayara foi a primeira mulher a presidir a Juventude tucana em Campo Grande, conquistando espaço em um partido tradicionalmente dominado por homens. Em 2024, colocou seu nome à disposição como candidata, consolidando-se como um dos principais quadros jovens da legenda.
Mas, conforme revelou em sua despedida, os últimos anos de atuação política foram atravessados por dificuldades pessoais. Durante esse período, manteve um relacionamento conturbado com o ex-deputado estadual João César Mato Grosso, atualmente diretor-adjunto do Detran-MS e pai de sua filha.
Relacionamento tóxico e brigas judiciais
O Portal Contribuinte teve acesso a boletins de ocorrência, documentos judiciais e relatos que mostram que a relação entre Mayara e João César foi marcada por brigas constantes, denúncias de violência psicológica e descumprimento de medidas protetivas.
Um dos registros mais recentes aponta que o ex-deputado teria violado decisões judiciais que garantiam a segurança de Mayara, o que reforça o caráter de perseguição descrito por ela em sua nota pública. Além disso, há informações de que João César deixou de cumprir com obrigações de pensão alimentícia, o que também gerou novos embates na Justiça.
A toxicidade do relacionamento extrapolou o campo pessoal e acabou interferindo diretamente na vida política da ex-presidente da Juventude tucana. As batalhas judiciais, os episódios de perseguição e os desgastes emocionais se somaram às pressões do ambiente partidário, resultando em um cenário insustentável.
Denúncias que viraram caso de novela
Segundo os documentos acessados, o histórico de ocorrências é extenso e demonstra que a relação foi permeada por episódios de violência doméstica, perseguições em eventos políticos e conflitos que chegaram a envolver testemunhas e medidas protetivas de urgência.
A dimensão pública do caso ganhou repercussão nas redes sociais e na imprensa, sendo descrito como uma verdadeira “novela” devido à sucessão de episódios envolvendo duas figuras conhecidas da política sul-mato-grossense.
Da política a um novo propósito de vida
Na sua nota oficial, Mayara afirmou que, ao longo dos últimos anos, sofreu em silêncio, mas decidiu priorizar sua saúde mental e romper o ciclo de violência. Ela anunciou que pretende se dedicar a um novo projeto chamado “RÁZGA”, que nasce como missão de apoiar mulheres a resgatarem suas próprias vozes e forças diante da violência e da opressão.
“Minha história não é apenas a despedida de um ciclo, mas o nascimento de um novo horizonte”, declarou Mayara em sua mensagem de despedida.
A importância da denúncia
Casos como o de Mayara reforçam a importância de que mulheres em situação de violência não se calem. A denúncia é um passo essencial para romper o ciclo de agressão e buscar proteção.
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira funciona como centro de apoio especializado, oferecendo acolhimento, orientação jurídica, atendimento psicológico e encaminhamentos necessários para garantir a segurança da vítima.
Mulheres que enfrentam situações semelhantes podem buscar ajuda imediata pelo telefone 180, pela Polícia Militar no 190, ou diretamente na Casa da Mulher Brasileira, localizada na Rua Brasília, nº 85, Jardim Ima.