O ato de filiação do ex-governador Reinaldo Azambuja ao Partido Liberal (PL), realizado neste domingo (21), foi marcado por fortes presenças institucionais, mas também por ausências que repercutiram no cenário político de Mato Grosso do Sul.
Entre os que não compareceram estiveram três nomes diretamente associados ao bolsonarismo no Estado: o ex-deputado estadual e ex-candidato ao governo Capitão Contar (PRTB), o deputado estadual João Henrique Catan (PL) e o deputado federal Marcos Pollon (PL). A ausência deles reforçou a percepção de distanciamento entre Azambuja e a militância de direita de rua.
Críticas de Pollon
A ausência de Marcos Pollon não foi surpresa. O deputado federal vinha criticando a ida de Azambuja para o PL havia mais de 20 dias e fez questão de expor sua insatisfação publicamente.
“Entregaram o PL para a porcaria do PSDB. Canalhas! Não vou admitir uso eleitoreiro numa situação desesperadora como essa”, escreveu em suas redes sociais recentemente.
O desconforto de Pollon já se arrastava desde outubro de 2024, quando o PL, sob orientação do comando nacional e com aval do ex-presidente Jair Bolsonaro, abandonou candidatura própria em Campo Grande para apoiar o deputado federal Beto Pereira (PSDB) na disputa pela prefeitura.
Durante a solenidade em Campo Grande, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, demonstrou contrariedade com a postura de Pollon. “Pollon deveria parar com isso”, disse o dirigente. Azambuja, por sua vez, não comentou o assunto nem a ausência do parlamentar.
Declaração de Catan
Outro ausente de peso foi o deputado estadual João Henrique Catan (PL), que também usou as redes sociais para justificar sua postura.
“Tem coisas que não se misturam. A direita verdadeira se constrói com coragem, enfrentamento e valores. A velha política tenta nos engolir, mas sempre nos mantivermos firmes no nosso propósito. Sempre que tentaram sufocar uma ideia de renovação ou de candidaturas próprias, a população percebeu e o povo reagiu nas urnas. Não precisamos estar em todos os palanques para mostrar a nossa força”, publicou o parlamentar.
Contraste no ato
Enquanto nomes da direita mais fiel a Bolsonaro se ausentaram, o evento foi prestigiado por lideranças tradicionais e até parlamentares historicamente críticos do ex-presidente, como Dagoberto Nogueira (PSDB) e Geraldo Resende (PSDB). Também participaram o governador Eduardo Riedel (PP) e a senadora Tereza Cristina (PP), aliados próximos de Azambuja.
O contraste deixou evidente que, neste primeiro momento, a filiação de Reinaldo Azambuja ao PL foi marcada pelo reagrupamento do seu núcleo político tradicional, mas ainda não conseguiu aproximá-lo da militância bolsonarista de rua em Mato Grosso do Sul.