Trump deu xeque-mate em Lula. Não há outra forma de definir o episódio que marcou os bastidores da Assembleia Geral da ONU. Até a manhã de terça-feira (23), a narrativa construída pelo governo e pela imprensa alinhada era simples: Donald Trump seria o extremista, o intransigente, o líder fechado ao diálogo. Restava a Lula posar como o adulto na sala, o presidente que tentava manter a diplomacia e evitar o “embate”.
Mas bastou uma frase de Trump para que toda essa encenação desmoronasse. O republicano contou, em público, que encontrou Lula, que se abraçaram e que já há sinalização para um encontro bilateral. Trump foi além: disse que teve “excelente química” com o petista e que só faz negócios com quem gosta. Em outras palavras, a porta está aberta.
O pós-discurso deixou ainda mais evidente quem de fato não quer conversar. O chanceler brasileiro Mauro Vieira informou que Lula é “um homem muito ocupado” e que voltará ao Brasil amanhã, impossibilitando um encontro presencial imediato. A alternativa seria uma conversa por telefone, mas o gesto simbólico e diplomático já estava claro: a oportunidade de diálogo estava à disposição, e a parte que não demonstrou interesse em aproveitá-la foi o presidente brasileiro.
Essa situação coloca Lula em uma posição extremamente desconfortável. Durante toda a campanha de marketing e na narrativa da imprensa aliada, dizia-se que Trump estaria em conluio contra o governo, em defesa da família Bolsonaro. Essa tese agora está totalmente desmontada. O presidente americano sinalizou abertura, e ficou evidente que a parte que não tem interesse em negociar é Lula.
No palco da ONU, a diferença de postura também foi gritante. Enquanto Trump falou de negócios, soberania e defesa do povo americano, Lula preferiu discursar como se estivesse em um DCE, atacando a liberdade de expressão com sua defesa da regulação das redes sociais e elogiando ditaduras mundo afora.
Trump pode ser um negociador duro, imprevisível, mas nesta rodada ele foi estratégico: desmontou a narrativa, colocou Lula contra a parede e deu um xeque-mate. Quem fugiu do diálogo não foi o presidente americano. Quem perdeu a chance de colocar o Brasil em posição de protagonismo internacional foi Lula.
Em resumo: a narrativa acabou. O tabuleiro mudou. Trump abriu portas, e Lula ficou sem saída.