O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou recentemente que reorganizaras finanças públicas brasileiras depende de fortalecer o crescimento econômico, e não apenas de cortes lineares nos gastos. Segundo ele, embora o gasto público — excluindo o período pandêmico — tenha se mantido historicamente em torno de 19,5 % do PIB, esse percentual caiu para menos de 19 % nos últimos anos, em função de cortes seletivos em despesas não essenciais.
Esse diagnóstico coloca sobre a mesa uma tensão central: até que ponto o Estado pode ajustar seu orçamento sem sufocar a atividade econômica? A realidade de alta taxa de juros, inflação persistente e uma recuperação econômica ainda frágil constrói um cenário em que medidas fiscais austeras podem retardar o crescimento, gerando desemprego e queda de receita tributária. E, ao mesmo tempo, deixar déficits persistentes sem controle traz riscos de desarranjos macroeconômicos, perda de confiança dos mercados e pressões inflacionárias.
Adicionalmente, o Congresso e o Executivo já têm histórico recente de embates: no primeiro semestre de 2025, o governo tentou elevar o IOF por decreto para aumentar arrecadação, mas foi derrotado no Parlamento. Essa disputa institucional evidencia que toda mudança fiscal depende de pactos, coalizões e da capacidade política de negociar. Assim, qualquer política pública de reestruturação fiscal precisa, simultaneamente:
promover crescimento econômico e investimento público em infraestrutura, inovação e setores estratégicos,assegurar controle de despesas e limitar distorções orçamentárias,garantir amortecimento social para segmentos vulneráveis,e articular apoio político no Congresso para evitar vetos ou rejeições.
Se esse equilíbrio for mal dosado, arrisca-se um Japão tupiniquim: estagnação prolongada com déficits estruturais crônicos.