Condenação derruba planos políticos de Giroto, recém-lançado pelo PL para 2026
Apadrinhado pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e pelo ex-governador Reinaldo Azambuja, o ex-secretário estadual de Obras Edson Giroto (PL) viu sua tentativa de retorno à política ser interrompida pela Justiça. Condenado na segunda sentença da Operação Lama Asfáltica, Giroto teve os direitos políticos suspensos por dez anos e foi obrigado a ressarcir os cofres públicos em mais de R$ 305 mil, além de pagar indenização de R$ 100 mil por danos morais coletivos.
O juiz Ariovaldo Nantes Corrêa, da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, sentenciou outros seis réus, entre empresários e servidores públicos, a devolverem juntos R$ 8,8 milhões aos cofres públicos, além de cumprirem penas de suspensão de direitos políticos e proibição de contratar com o poder público.
A decisão atinge diretamente os planos eleitorais de Giroto. No último dia 21, ele se filiou ao PL em ato que contou com a presença de Reinaldo Azambuja, responsável por anunciá-lo como um dos nomes fortes da legenda para a disputa por uma cadeira de deputado federal em 2026. Giroto também participou do evento de filiação de Azambuja ao partido, selando sua reaproximação política.
O esquema revelado pela Justiça
Segundo a sentença de 164 páginas, a construtora Proteco, do empresário João Amorim, deixou de executar 27,7 dos 42 quilômetros previstos no contrato de pavimentação da rodovia MS-228, em Corumbá. A obra recebeu R$ 7,9 milhões, mas quase R$ 3 milhões foram desviados.
O magistrado destacou a existência de “um intrincado esquema de tráfico de influência e fabricação de medições”, com a participação de agentes públicos e políticos para favorecer a empresa de Amorim. Interceptações telefônicas da Polícia Federal comprovaram que Giroto, enquanto secretário de Obras, fornecia informações privilegiadas, negociava contratos e defendia interesses privados em detrimento do Estado.
Em um dos trechos citados, Giroto admite em conversa telefônica que cuidava dos interesses da Proteco “a vida inteira”, revelando a longevidade do esquema.
Condenados e penas
Além de Giroto, foram condenados:
– João Alberto Krampe Amorim dos Santos (empresário): suspensão dos direitos políticos por 12 anos, devolução de R$ 917,7 mil e indenização de R$ 250 mil.
– Elza Cristina Araújo dos Santos (sócia da Proteco): suspensão de 10 anos, devolução de R$ 917,7 mil e indenização de R$ 150 mil.
– Rômulo Tadeu Menossi (engenheiro): suspensão de 8 anos, devolução de R$ 305,9 mil e indenização de R$ 70 mil.
– Eôlo Genovês Ferrari (engenheiro): suspensão de 6 anos, devolução de R$ 152,9 mil e indenização de R$ 50 mil.
– Wilson Roberto Mariano de Oliveira, o Beto Mariano (Agesul): suspensão de 8 anos, devolução de R$ 305,9 mil e indenização de R$ 80 mil, além da perda do cargo público, inclusive aposentadoria.
– Átila Garcia Gomes Tiago de Souza (Agesul): suspensão de 4 anos, devolução de R$ 152,9 mil, indenização de R$ 50 mil e perda do cargo público.
Somados, os valores chegam a R$ 3,059 milhões em ressarcimentos e R$ 750 mil em danos morais coletivos, corrigidos pela inflação e pela taxa Selic até hoje, alcançando R$ 8,875 milhões.
Reviravolta para o PL
A condenação ocorre em um momento delicado para o PL em Mato Grosso do Sul. O partido, sob a liderança de Azambuja, buscava fortalecer sua chapa para 2026 e apostava no nome de Giroto como um dos favoritos a conquistar vaga na Câmara Federal. Agora, com a suspensão dos direitos políticos, ele fica inelegível e fora do jogo eleitoral.
A decisão judicial ainda cabe recurso, mas já representa um duro golpe nos planos de Giroto e no projeto do PL em ampliar sua bancada em Brasília.