A Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, com 493 votos, o Projeto de Lei 1.087/2025, que eleva a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês e oferece descontos para rendas até R$ 7.350. A proposta, enviada pelo governo Lula, promete beneficiar 26,6 milhões de brasileiros a partir de 2026, zerando o imposto para quem ganha até R$ 5 mil (desconto de até R$ 312,89) e concedendo abatimento de R$ 978,62 para a faixa até R$ 7.350. O texto agora segue para o Senado.
Para cobrir a perda de arrecadação, estimada em R$ 25,8 bilhões, o projeto impõe uma tributação progressiva de até 10% sobre rendimentos anuais acima de R$ 600 mil, incluindo lucros e dividendos, com alíquota máxima para ganhos acima de R$ 1,2 milhão. A medida atinge apenas 140 mil contribuintes (0,13% do total), que hoje pagam, em média, 2,54% de IR. Segundo o Ministério da Fazenda, a taxação dos super-ricos pode gerar uma sobra de R$ 12,7 bilhões até 2027, destinada a reduzir a alíquota da CBS, criada pela Reforma Tributária.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), celebrou a votação como um marco de união pelo bem-estar das famílias brasileiras. O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) destacou a busca por justiça tributária, enquanto Fernanda Melchionna (PSOL-RS) viu a medida como resposta às demandas populares por equidade. No entanto, críticas surgiram. Gilson Marques (Novo-SC) acusou a proposta de desviar recursos para políticos, não para os pobres. Bibo Nunes (PL-RS) classificou a iniciativa como clientelismo eleitoral, e Luiz Carlos Hauly (Pode-PR) criticou a alta carga tributária que, segundo ele, continua penalizando os mais pobres.