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Denúncia de Cassy Monteiro expõe omissão das autoridades, falhas estruturais e mortes evitáveis de crianças em MS

Psicóloga e suplente de vereadora expõe falhas estruturais que já custaram vidas de crianças e adolescentes no estado.

Tragédias recentes envolvendo crianças e adolescentes em Mato Grosso do Sul escancaram um cenário de negligência e falência institucional. A psicóloga e suplente de vereadora Cassy Monteiro fez uma denúncia incisiva: as mortes e abusos que vêm chocando o estado poderiam ter sido evitados se a rede de proteção tivesse funcionado.

“Essas manchetes não são exceções. São sintomas de algo muito maior. Haviam denúncias. Haviam sinais claros. Mas houve demora. E essa demora custou vidas”, afirmou.
Nos últimos meses, casos brutais se multiplicaram:

* Emanuelly, 6 anos, sequestrada, violentada e assassinada por um criminoso que deveria estar preso.

* Uma professora investigada por abusar de uma criança de 4 anos dentro de um CEINF em Campo Grande.
* Um vizinho que abusava de meninas em seu bairro, descoberto apenas porque uma delas mudou o comportamento na escola — o caso gerou revolta e até incêndio na casa do agressor.

Essas histórias se somam a outras que marcaram o estado: Sophia, 2 anos, morta após agressões brutais, e Estrelinha, 11 anos, estuprada e assassinada na capital. Casos que ganharam repercussão nacional, mas pouco resultado prático.

O problema é estrutural

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, que reúne informações até 2024, confirmam a gravidade: o Mato Grosso do Sul lidera o índice nacional de estupros contra crianças e adolescentes.
Segundo inquéritos do Ministério Público, relatórios da Justiça e auditorias do Tribunal de Contas, os Conselhos Tutelares — principal porta de proteção — funcionam sem estrutura mínima, equipes suficientes ou protocolos eficazes.

Apesar de alertas oficiais, pouco foi feito. Em 2022, após o assassinato de Sophia, o governo estadual prometeu criar um Centro de Atendimento especializado em Campo Grande. Dois anos depois, a promessa segue no papel, enquanto as estatísticas só pioraram.

“Não se trata de descuido. Cada falha é uma violação da lei. O ECA garante proteção integral. A Lei 13.431 define protocolos. A Lei Henry Borel nasceu para impedir tragédias domésticas. Quando o poder público ignora isso, não falha só com a legislação. Falha com as crianças e com cada família que perde um filho”, reforça Monteiro.

Silêncio que custa vidas

A denúncia também questiona o silêncio das autoridades:
 “Por que tantas autoridades se calam diante disso? Por que o Executivo insiste em ignorar relatórios oficiais? Será por que crianças não votam — e, por isso, permanecem invisíveis para quem poderia mudar esse sistema?”, indaga.

A repercussão é alarmante: famílias destroçadas, comunidades em luto e uma sociedade que, diante da repetição dos casos, corre o risco de se anestesiar frente à barbárie ou agir por conta própria — podendo gerar mais injustiças. Para Monteiro, a luta não é apenas por justiça pontual, mas por uma mudança estrutural.

“O sistema está doente. E cada vida perdida é uma denúncia viva contra a omissão de autoridades que juraram proteger nossas crianças. Se nada mudar, o sangue continuará escorrendo pelas brechas da indiferença”, afirmou.

O que está em jogo é o futuro de uma geração. Cada caso silenciado aprofunda a descrença na democracia e no Estado de Direito. A denúncia de Cassy Monteiro, agora publicamente assumida, ecoa como um chamado urgente para que autoridades, instituições e sociedade civil rompam com a cultura da omissão.

A denúncia vai além de expor irregularidades. É também um chamado à mobilização social.
 “Não podemos continuar chegando depois, só para chorar e lamentar. Precisamos chegar antes da tragédia. Isso só acontece quando pais, mães, professores e cidadãos se tornam a voz que as crianças não têm, cobrando, pressionando e denunciando. Cada compartilhamento, cada cobrança, pode salvar vidas”, declarou Monteiro.
O retrato que emerge é de um Mato Grosso do Sul que coleciona promessas não cumpridas, relatórios engavetados e estatísticas em alta. Enquanto isso, crianças continuam pagando com a vida.

A pergunta que ecoa é incômoda e inevitável:
 Quantas mortes mais serão necessárias para que autoridades tratem a proteção da infância como prioridade real?