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Com forte esquema de segurança, Janja ignora jornalistas e repete padrão do governo Lula em visita a MS

A visita da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, a Campo Grande, nesta quarta-feira (8), seguiu o mesmo roteiro das recentes agendas do governo federal: forte esquema de segurança, sigilo sobre a programação e imprensa mantida à distância. O episódio reforça a marca que vem se consolidando no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — a de um governo cada vez menos acessível aos jornalistas.

Desde o desembarque de Janja na Capital, o trabalho da imprensa foi dificultado. Nenhum veículo pôde se aproximar ou fazer perguntas à primeira-dama, cercada o tempo todo por agentes da Polícia Federal. No campus da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), onde ela participou do evento Vozes dos Biomas, o acesso foi rigidamente controlado: apenas convidados previamente cadastrados puderam entrar no auditório da Agead.

O local foi isolado por grades e fitas zebradas, e repórteres foram mantidos a cerca de 20 metros de distância, sob vigilância constante dos agentes federais. A orientação era clara, ninguém poderia ultrapassar a área demarcada. A justificativa oficial da Presidência da República foi a de que o evento era “fechado”, para que as participantes, majoritariamente mulheres indígenas e quilombolas, se sentissem “à vontade” para discutir os impactos das mudanças climáticas no Pantanal.

No entanto, o tratamento dado à imprensa em Campo Grande não é um caso isolado. Situações semelhantes têm ocorrido em praticamente todas as agendas recentes do governo Lula. Na mais recente, durante a Assembleia da ONU, jornalistas brasileiros relataram que foi mais fácil conversar com líderes estrangeiros, incluindo o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e até mesmo Donald Trump, do que com o próprio presidente Lula.

Esse padrão reforça a imagem de um governo que evita o escrutínio público e se distancia dos veículos de comunicação, mesmo em eventos de interesse coletivo. E Janja, que tem se tornado figura central nas agendas do Planalto, segue o mesmo estilo do marido: poucas falas, nenhum espaço para perguntas e um aparato de segurança que bloqueia qualquer tentativa de aproximação.

A falta de transparência e o cerceamento ao trabalho da imprensa não são apenas detalhes protocolares, representam um retrocesso no diálogo democrático. Em uma república, políticos e figuras públicas devem prestar contas à sociedade, e a imprensa tem papel fundamental nesse processo. Blindar autoridades do contato com jornalistas não fortalece a imagem do governo; ao contrário, acende o alerta sobre o crescente isolamento de um poder que se prometia popular, mas vem se mostrando cada vez mais inacessível.