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Pesquisa aponta que 56% dos brasileiros não querem Lula em 2026

A eleição presidencial de 2026, ainda distante mas já fervilhando nos bastidores políticos, ganhou um novo contorno com a divulgação da mais recente pesquisa Genial/Quaest, realizada entre os dias 29 de setembro e 5 de outubro de 2025. O levantamento, que ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais em 120 municípios do país, aponta uma tendência clara de desgaste para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 56% dos entrevistados afirmam que ele não deveria se candidatar à reeleição, enquanto apenas 40% defendem uma nova postulação do petista. Os 4% restantes não souberam ou não quiseram opinar, mas o dado central reforça uma rejeição que ultrapassa a maioria absoluta, sinalizando desafios para o governo na corrida pelo Planalto.

Esse resultado representa uma leve estabilização em relação à rodada anterior, de julho de 2025, quando 58% se posicionavam contra a candidatura de Lula – uma queda de dois pontos percentuais que, embora dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, indica uma recuperação tímida na imagem do presidente. No entanto, a barreira dos 50% de rejeição persiste como um obstáculo significativo, especialmente em um contexto de economia instável, com inflação persistente e críticas à gestão fiscal. Entre os eleitores que votaram em Lula no segundo turno de 2022, a adesão à reeleição ainda é majoritária (cerca de 60%), mas o apoio geral encolhe quando se considera o eleitorado amplo, incluindo indecisos e opositores.

A pesquisa também traça um paralelo inevitável com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para 65% dos brasileiros, Bolsonaro nem deveria tentar registrar candidatura, um índice ainda mais elevado que o de Lula, refletindo o alto grau de polarização no país. Essa rejeição mútua – Lula por 56%, Bolsonaro por 65% – sugere que o eleitorado clama por renovação, com espaço crescente para nomes “moderados” da centro-direita, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Analisando por recortes demográficos, a rejeição a Lula é mais acentuada entre os mais jovens (16-24 anos), com 62% contra a reeleição, e no Sudeste (58%), região economicamente pivotal. No Nordeste, reduto histórico do PT, o apoio sobe para 48%, mas mesmo ali a oposição interna ao terceiro mandato começa a se manifestar. Mulheres, que tradicionalmente inclinam-se para o petista, dividem-se quase igualmente: 53% contra e 43% a favor. Esses números ecoam a desaprovação geral ao governo, que atingiu 52% na mesma pesquisa – o primeiro patamar acima de 50% desde o início do mandato, atribuído a fatores como o aumento dos preços de alimentos e a lentidão na recuperação econômica pós-pandemia.

Para o PT, o cenário impõe uma estratégia dupla: de um lado, reforçar as conquistas sociais, como a expansão do Bolsa Família e a isenção de Imposto de Renda para rendas até R$ 5 mil, para reconquistar os indecisos; de outro, neutralizar a ascensão de Tarcísio, que surge como favorito na direita com 24% de intenção de voto em cenários iniciais. Lula, aos 80 anos em 2026, já sinalizou em entrevistas que sua decisão dependerá da “vontade popular”, mas aliados como o ministro da Casa Civil, Rui Costa, admitem internamente que uma candidatura do próprio presidente pode energizar a base, mas arrisca alienar o centro.

No tabuleiro político, essa rejeição de mais da metade não é fatal – pesquisas eleitorais são voláteis, e Lula lidera simulações de segundo turno contra rivais como Tarcísio (46% a 40%) e Michelle (48% a 35%). Contudo, o alerta é inegável: o eleitorado, fatigado pela polarização, busca alternativas. Resta saber se o Planalto conseguirá reverter a maré nos próximos 13 meses ou se o “Lulismo sem Lula” – com nomes como o governador do Maranhão, Flávio Dino – ganhará tração. Por ora, a Genial/Quaest acende o sinal amarelo: 2026 não será uma reeleição fácil.