As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), feitas na tarde desta terça-feira (4), repercutiram fortemente nas redes sociais e no meio político. Lula afirmou que está verificando a possibilidade de solicitar uma perícia da Polícia Federal nos corpos dos mortos durante a megaoperação das forças de segurança do Rio de Janeiro, classificando a ação como “desastrosa” e dizendo que houve uma “matança”.
Segundo o presidente, a determinação judicial era para prisões, não para mortes. “A decisão do juiz era uma ordem de prisão, não tinha uma ordem de matança, e houve uma matança”, declarou Lula. Ele afirmou que pretende pedir informações oficiais e apuração dos fatos, indicando que a operação pode ter extrapolado seus limites.
Fala anterior de Lula sobre traficantes “vítimas” volta a repercutir
As novas declarações do presidente reacenderam também uma fala recente feita durante visita oficial à Malásia, quando Lula afirmou que muitos traficantes são vítimas dos usuários e da dependência provocada pelo consumo de drogas. A fala, criticada por autoridades da segurança e parlamentares, voltou a circular nas redes após o comentário sobre a operação no Rio.
Para a oposição, o discurso do presidente revela fragilidade e incoerência na postura do governo diante do crime organizado. Enquanto o Planalto tenta adotar um tom mais “humanitário”, a violência em estados como o Rio de Janeiro, Bahia e Ceará cresce, e as facções criminosas seguem desafiando o Estado.
População apoia a operação
Levantamento da AtlasIntel aponta que mais de 80% dos moradores de comunidades apoiaram a atuação das forças de segurança, classificando a operação como “necessária” e “eficiente” para restaurar a ordem. Os números mostram que o governo Lula vai na contramão da opinião popular, ao adotar um tom de crítica à ação policial.
Sobre os mortos na operação, a polícia do Rio afirmou em nota que “mais de 95% dos identificados tinham ligação comprovada com o Comando Vermelho e 54% eram de fora do Estado”.
“O trabalho de inteligência desenvolvido pela cúpula de Segurança Pública do Estado identificou que 59 tinham mandados de prisão pendentes, pelo menos 97 apresentavam históricos criminais relevantes”, afirma a nota.
As informações do governo do Rio também indicam que 17 dos mortos identificados não apresentavam histórico criminal. Destes, “12 apresentaram indícios de participação no tráfico em suas redes sociais”, afirma a nota.
No documento divulgado, a polícia anexou fotos de algumas das postagens que supostamente apontariam para as atividades criminosas dos suspeitos. Em algumas delas, eles aparecem em fotos carregando armas ou usam emojis que, segundo as autoridades, fazem alusão à bandeira do Comando Vermelho.