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PF prende Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS

Na manhã de 13 de novembro de 2025, a Polícia Federal (PF) deflagrou uma nova fase da Operação Sem Desconto, uma investigação que expõe as entranhas de um dos maiores escândalos previdenciários da história recente do Brasil. O alvo principal da ação foi Alessandro Stefanutto, ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), preso em cumprimento a um mandado de prisão temporária. A operação, realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), cumpriu 10 mandados de prisão e dezenas de buscas em 14 estados e no Distrito Federal, atingindo não apenas Stefanutto, mas também figuras ligadas a entidades associativas e até um deputado federal investigado por suposto envolvimento no esquema.

O caso remonta a fraudes bilionárias em benefícios previdenciários, reveladas inicialmente por reportagens investigativas em dezembro de 2023. O esquema, apelidado de “Farra do INSS”, consistia na cobrança indevida de mensalidades associativas diretamente dos contracheques de aposentados e pensionistas, sem qualquer autorização dos beneficiários. Essas subtrações irregulares, promovidas por associações civis sem estrutura para oferecer os serviços prometidos — como assistência jurídica ou descontos em farmácias —, somaram prejuízos estimados em R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. Milhares de idosos, já vulneráveis financeiramente, tiveram seus proventos reduzidos por débitos fictícios, enquanto as entidades envolvidas, como a Confederação Nacional dos Agricultores e Agricultoras Familiares (Conafer), faturavam fortunas ilícitas.

Stefanutto, servidor de carreira do INSS e filiado ao PDT, assumiu a presidência do instituto em julho de 2023, indicado pelo então ministro da Previdência Social, Carlos Lupi — também demitido em meio ao escândalo. Antes disso, ele havia atuado como consultor na transição do governo Bolsonaro para o de Lula, o que o posicionava como uma figura de confiança no setor. No entanto, a Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025, o transformou em alvo central. Afasta-lo do cargo judicialmente não foi suficiente: depoimentos à CPMI do INSS, instalada no Congresso para apurar as irregularidades, revelaram contradições em suas declarações. Stefanutto alegava ter tomado “todas as medidas cabíveis” para interromper os descontos, mas as investigações apontam para omissões graves, possivelmente coniventes com a rede de corrupção.

Os crimes em xeque são pesados: inserção de dados falsos em sistemas oficiais, organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro. A decisão pela prisão foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do inquérito, que considerou evidências de risco à ordem pública e à continuidade das apurações. A defesa de Stefanutto reagiu prontamente, classificando a medida como “completamente ilegal” e afirmando que o ex-presidente colaborou desde o início das investigações, sem causar embaraços. “Seguimos confiantes de que comprovaremos sua inocência ao final dos procedimentos”, declarou a assessoria jurídica em nota, prometendo recorrer à Justiça.

Essa nova fase da operação não é isolada. Desde sua instauração, a Sem Desconto devolveu milhões aos aposentados lesados e desmantelou associações fantasmas, mas o cerco se fecha sobre os cabeças do esquema. A prisão de Stefanutto, um nome de peso no governo Lula, reacende debates sobre a fragilidade dos controles internos no INSS e a politização de cargos públicos. Enquanto os investigados aguardam o desfecho judicial, milhares de brasileiros idosos veem, enfim, um vislumbre de justiça em um sistema que, por anos, os explorou sem piedade.