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Moraes não puniu Collor por 36 horas sem tornozeleira, mas usou falha de Bolsonaro para justificar prisão

Comparação entre os dois casos reacende debate sobre critérios do STF para medidas cautelares

A discussão sobre o uso de tornozeleiras eletrônicas por ex-presidentes ganhou força após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmar que Jair Bolsonaro tentou violar o equipamento na madrugada deste sábado (22), e usar esse episódio como um dos fundamentos para decretar sua prisão preventiva.

O caso gerou imediatas comparações com a situação envolvendo Fernando Collor de Mello, que há seis meses ficou 36 horas desconectado da tornozeleira — sem que Moraes determinasse sua prisão naquele momento.

Caso Collor: falha durou 36 horas e não resultou em prisão imediata

Em maio, Collor passou a cumprir prisão domiciliar, após ser condenado a oito anos e dez meses por corrupção e lavagem de dinheiro.
Dois dias depois da instalação do equipamento, em Maceió, a tornozeleira registrou desconexão por 36 horas.
O caso só se tornou público em outubro, por meio de um relatório da Secretaria de Ressocialização e Inclusão Social.
Na ocasião, Moraes não decretou prisão: apenas pediu explicações à defesa, que alegou falha não intencional durante o período de adaptação ao aparelho.

Caso Bolsonaro: falha detectada às 0h08 e citada como tentativa de fuga

A situação de Bolsonaro teve tratamento muito mais rígido.
Às 0h08 deste sábado (22), o sistema do Distrito Federal registrou uma violação no equipamento, o que levou à substituição imediata da tornozeleira.

Moraes considerou o episódio como tentativa de romper o dispositivo, afirmando que haveria intenção de fuga — especialmente diante, segundo ele, da vigília convocada por Flávio Bolsonaro, que poderia tumultuar a fiscalização da prisão domiciliar.

Foi um dos argumentos usados horas depois para justificar a prisão preventiva, cumprida pela Polícia Federal.