O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou, por unanimidade, a condenação do ex-deputado federal Loester Trutis (PL) e de sua esposa, Raquelle Lisboa Alves Souza, por desvio de recursos do fundo eleitoral durante as eleições de 2022. O revés jurídico encerra um ciclo de quatro anos de desgaste político acumulado pelo ex-parlamentar, que ganhou projeção na “onda Bolsonaro” de 2018, mas perdeu força ao longo do mandato e sofreu derrotas expressivas nas urnas em 2022 e 2024.
Condenação unânime no TSE
O julgamento ocorreu no plenário virtual da Corte entre 21 e 28 de novembro. O relator, ministro Antonio Carlos Ferreira, rejeitou de forma monocrática o recurso do casal e foi seguido integralmente pelos demais ministros — Ricardo Villas Bôas Cueva, André Mendonça, Nunes Marques, Cármen Lúcia, Estela Aranha e Floriano de Azevedo Marques.
Com isso, fica mantida a decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), que havia concluído pelo desvio de R$ 776 mil em recursos públicos destinados à campanha.
R$ 2 milhões sob suspeita
Trutis recebeu R$ 1 milhão do partido para disputar a reeleição à Câmara dos Deputados, e Raquelle obteve o mesmo valor para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa. A cifra foi considerada atípica dentro da própria legenda, o que chamou atenção do Ministério Público Eleitoral (MPE) após a chegada de uma denúncia anônima.
Investigações posteriores cruzaram dados da prestação de contas com informações comerciais e fiscais de empresas contratadas pelo casal. O levantamento apontou que parte do dinheiro teria sido desviada para atividades completamente alheias ao processo eleitoral, como a abertura de lojas de roupas, bolsas e sapatos em Campo Grande e Brasília, além de viagens internacionais — entre elas duas aos Estados Unidos e uma ao Chile.
Histórico de polêmicas
A confirmação da condenação acentua a trajetória controversa de Trutis. Durante seu mandato, o ex-deputado enfrentou diversas crises públicas, sendo a mais conhecida a investigação que concluiu que ele teria forjado um atentado contra si próprio para fins políticos — episódio amplamente noticiado à época e que desgastou sua imagem nacionalmente.
Politicamente, o desgaste foi evidente. Trutis não conseguiu se reeleger em 2022 e, em 2024, teve desempenho considerado pífio na disputa por uma cadeira na Câmara Municipal de Campo Grande, ficando distante dos eleitos.
Consequências e próximos passos
Com a decisão do TSE, o casal ainda pode apresentar embargos de declaração — recurso limitado a dúvidas formais ou correções de erros materiais, sem capacidade de reverter o mérito da condenação.
Mantido o entendimento, Trutis e Raquelle:
– perderão os diplomas de suplentes;
– ficarão inelegíveis por até oito anos;
– deverão devolver o dinheiro desviado, com correção monetária — valor que deve ultrapassar R$ 1,05 milhão.
No campo criminal, ambos ainda respondem por lavagem de dinheiro, acusação cuja pena varia de três a dez anos de prisão. A denúncia aponta que o casal tentou mascarar a origem ilícita dos recursos desviados do fundo eleitoral, conferindo aparência de legalidade a gastos que não tinham relação com a campanha.