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Indícios de empresa fantasma, verbas ao próprio instituto e favorecimento familiar: o império político de Fábio Rocha em apenas um ano de mandato

Eleito em 2024 como símbolo da renovação política na Câmara Municipal, o vereador Fábio Rocha encerra seu primeiro ano de mandato envolvido em um conjunto de denúncias que se acumulam e chamam atenção pelo padrão: uso político de estrutura social, indícios de favorecimento familiar, contratações com verba pública que levantam dúvidas e uma postura agressiva contra veículos e influenciadores que expõem essas suspeitas.

A soma desses elementos coloca o parlamentar — um dos mais votados nas últimas eleições — no centro de um furacão político, contrastando frontalmente com o discurso de transparência e ética que o levou ao cargo.

Instituto vira vitrine eleitoral e ferramenta política

O Esquadrão da Juventude, projeto social fundado por Fábio Rocha, tem sido apresentado pelo vereador como símbolo central de sua atuação. As postagens em suas redes sociais beiram um culto à personalidade, colocando o parlamentar como protagonista absoluto e sugerindo que os serviços voltados à juventude só existem graças a ele.

Críticos afirmam que o instituto — historicamente liderado pelo próprio vereador — está sendo abastecido politicamente e financeiramente, servindo como plataforma de visibilidade e construção de imagem para futuras disputas eleitorais.

Mais de meio milhão em verbas públicas para o projeto do próprio vereador

Levantamento com base em documentos oficiais mostra que, apenas em 2025, o Esquadrão da Juventude recebeu R$ 595 mil em recursos públicos.

Desse total, R$ 110 mil vieram de emendas apresentadas pelo próprio Fábio Rocha — algo que ele próprio criticava antes de ser eleito, quando mencionava, em podcast, o risco de “rachadinhas” e de uso político de entidades sociais para retorno financeiro ou eleitoral.

Hoje, o projeto fundado por ele está entre os maiores recebedores de verbas via indicações de vereadores.

A situação ganhou novo capítulo após o ativista político Bruno Ortiz afirmar que, na LOA de 2026, o Esquadrão da Juventude estaria previsto para receber mais R$ 250 mil.

Parentes empregados e empresa da esposa recebendo verba do gabinete

Os questionamentos não param no instituto. Há também nomeações de familiares em cargos públicos, incluindo a própria esposa do vereador.

Além disso, a esposa de Fábio Rocha aparece como sócia de uma empresa que recebe recursos públicos oriundos do gabinete dele — uma situação que especialistas classificam como de potencial conflito de interesses, algo frontalmente contrário ao discurso de ética e nova política.

Empresa contratada por R$ 22,5 mil não existe no endereço declarado

Um dos episódios que mais chamaram atenção envolve a empresa Mídia Light LTDA (CNPJ 50.450.239/0001-31), contratada para gerenciar as redes sociais do vereador.

Segundo dados oficiais, a empresa recebeu R$ 22.500,00 entre janeiro e maio de 2025.

Ao visitar o endereço onde a empresa deveria funcionar, a reportagem encontrou:

  • um endereço físico existente,
  • mas nenhuma empresa operando ali,
  • vizinhos que desconhecem a atividade,
  • e moradores que nunca ouviram falar da sócia registrada, Adriana Ximenes.

Para uma empresa que presta serviços remunerados com verba pública, causa estranheza não haver qualquer vestígio físico, documental ou testemunhal que comprove sua existência operacional.

Após denúncia, vereador troca repentinamente o prestador

Outro ponto levantado pela imprensa: logo após a publicação da reportagem sobre a Mídia Light, o vereador substituiu o prestador de serviços de redes sociais.

A troca imediata reacendeu suspeitas:

  • Seria apenas ajuste administrativo?
  • Coincidência temporal?
  • Ou uma tentativa de conter danos diante do barulho provocado pelas denúncias?

O jornalista responsável pela matéria enfatizou que não há acusação, apenas a pergunta legítima diante da falta de transparência em torno de uma empresa contratada com recursos públicos.

Silêncio sobre as denúncias e ataques à imprensa

Nesta terça-feira, Fábio Rocha publicou um vídeo nas redes sociais dizendo ser alvo de “ataques covardes” à sua imagem e ao seu trabalho social.

Apesar disso, não respondeu a nenhuma das acusações objetivas, entre elas:

  • o destino das verbas do gabinete;
  • a contratação da empresa sem comprovação de funcionamento;
  • os pagamentos à empresa da esposa;
  • a estrutura familiar empregada;
  • os repasses ao instituto fundado por ele;
  • e as incoerências com o discurso que fazia antes de ser eleito.

Ao mesmo tempo, o vereador tem adotado postura hostil contra jornalistas e influenciadores que revelam essas informações, uma conduta considerada pouco democrática e incompatível com a transparência esperada de um agente público.

O veículo que apurou o caso relatou que buscou o vereador para esclarecimentos, mas até o momento não obteve resposta.

Da nova à velha política — em tempo recorde

O conjunto de denúncias coloca o vereador Fábio Rocha como exemplo do que ele próprio costumava criticar. Em apenas um ano de mandato, acumula:

  • indícios de favorecimento familiar;
  • possível uso político de instituto social;
  • repasses volumosos para entidade fundada por ele;
  • incoerência entre discurso e prática;
  • contratações com indícios de irregularidade;
  • empresa fantasma recebendo verba pública;
  • troca estratégica de prestadores após denúncias;
  • ataques à imprensa;
  • e falta de respostas claras à população.

O que deveria ser um mandato pautado pela “nova política” acabou marcado por práticas associadas ao que há de mais questionável na vida pública brasileira — justamente aquelas que ele prometeu combater.