(67) 9 9689-6297 | ocontribuintebr@gmail.com

Toffoli embarcou em aeronave associada a foragido acusado de chefiar esquema bilionário do PCC

Documentos de voo e relatos de um piloto revelam que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, viajou em um jatinho executivo operado por uma empresa associada a Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco — acusado pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) de comandar um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao PCC (Primeiro Comando da Capital).

Beto Louco está foragido desde agosto de 2024, quando a Operação Carbono Oculto foi deflagrada para desarticular uma rede bilionária de fraudes fiscais, adulteração de combustíveis e lavagem de recursos ilícitos.

Do voo em Brasília ao resort de luxo

De acordo com o diário de bordo e com o relato do piloto Mauro Caputti Mattosinho, obtidos pelo ICL Notícias e confirmados por O Contribuinte, Toffoli viajou duas vezes no mesmo dia — 22 de setembro de 2024 — no jato de prefixo PR-SMG, operado pela empresa TAP (Táxi Aéreo Piracicaba).

O primeiro voo partiu de Brasília às 12h40 com destino a Ourinhos (SP). De lá, o ministro embarcou em um helicóptero para o resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR), empreendimento de luxo que já teve parentes de Toffoli entre seus sócios.

Poucas horas depois, por volta das 18h, Toffoli retornou a Ourinhos e pegou o mesmo jatinho até São Paulo. O piloto relata que o ministro teria dito que iria “participar de um coquetel” e chegou a convidá-lo para o evento.

“Só descobri que levaria um ministro do STF na hora em que ele apareceu para embarcar”, contou Mattosinho. Segundo ele, o PR-SMG era frequentemente usado por Beto Louco e seu sócio, Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo — ambos foragidos.

Jato citado em operação da PF

O mesmo jatinho utilizado por Toffoli, o PR-SMG, é mencionado em investigações da PF e do MPSP. O piloto relatou que, em 6 de agosto de 2024, transportou uma sacola de papel com dinheiro vivo de São Paulo a Brasília. No voo, Beto Louco estava presente e teria citado repetidamente o nome do senador Ciro Nogueira (PP-PI), afirmando que se encontraria com ele ao desembarcar.

Nogueira nega qualquer relação com o empresário ou com o caso.

Mattosinho também declarou à PF que o advogado Antonio Rueda, atual presidente nacional do União Brasil, era sócio oculto de Epaminondas Madeira, dono da TAP, em quatro aeronaves operadas pela empresa.

Estrutura empresarial sob suspeita

Registros do RAB (Registro Aeronáutico Brasileiro) mostram que o PR-SMG já teve diversos proprietários desde 2018. Em 18 de dezembro de 2023, a aeronave foi vendida pela SP-CTA Táxi Aéreo Ltda à Aviação Alta Airline Transportes, por quase R$ 29 milhões.

A Aviação Alta pertence a Epaminondas Chenu Madeira, administrador da TAP, e ao Capri Fundo de Investimentos, gerido pela Ruby Capital, empresa que compartilha o mesmo CNPJ do fundo Altinvest Asset, alvo direto da Operação Carbono Oculto por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC.

O piloto relatou ainda que, ao pedir demissão, ouviu de um advogado da TAP que “o Ruby estava intacto”, insinuando que o fundo não havia sido atingido pelas investigações — o que se mostrou falso, já que a Altinvest foi alvo da PF e do MPSP.

Em nota enviada ao ICL Notícias, a Altinvest negou qualquer relação com atividades ilícitas e afirmou que “repudia veementemente qualquer tentativa de associação” de seu nome a esquemas criminosos.

Silêncio do ministro e da empresa

O ICL Notícias e O Contribuinte procuraram a assessoria do ministro Dias Toffoli, o resort Tayayá e a TAP Táxi Aéreo para esclarecer quem custeou as viagens e se o ministro utilizou a aeronave em outras ocasiões. Nenhum dos citados respondeu até a publicação desta matéria.