O Brasil acordou diante de um contrato que envolve cifras milionárias, órgãos de controle do Estado e a família de um dos homens mais poderosos da República. E a pergunta que ninguém ousa fazer é simples: quem vai investigar Alexandre de Moraes e sua esposa?
O contrato do Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes soma R$ 3,6 milhões por mês, R$ 129 milhões em três anos, e prevê atuação direta junto ao Banco Central, Receita Federal, PGFN, CADE e Congresso Nacional, exatamente os órgãos que fiscalizam, regulam e afetam a vida de um banco.
É impossível ignorar a coincidência:
enquanto a esposa assina um contrato dessa magnitude, o marido ocupa uma das cadeiras mais influentes do Supremo e atua em processos que interessam ao próprio setor financeiro.
E não para por aí.
Outro ministro, Dias Toffoli, blindou o Master em decisões sigilosas, enquanto viajava em jatinho ligado a investigados, relação revelada pela imprensa.
A soma dos fatos aponta para algo maior que um contrato: ela sugere um arranjo institucional, uma blindagem mútua, um pacto de conveniências.
A grande verdade é que, se o mesmo contrato fosse assinado por Michelle Bolsonaro, o país já teria assistido a:
– buscas e apreensões,
– quebras de sigilo,
– prisão preventiva,
-coletiva da PF,
– manchetes acusatórias.
Mas como é “do lado certo”, reina o silêncio.
Silêncio da imprensa tradicional.
Silêncio da PGR.
Silêncio do Congresso.
Silêncio dos órgãos de controle.
O problema é que esse silêncio tem custo: o enfraquecimento definitivo da confiança pública.
O Brasil precisa de algo óbvio e urgente: uma investigação independente que alcance quem for, doa a quem doer. Porque quando quem controla tudo não pode ser investigado, o Estado deixa de ser República e passa a ser feudo.
E o país não pode aceitar isso.