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Mal-estar, renúncia de advogado e tumulto: julgamento de Marcos Pollon é interrompido na Câmara

Reunião no Conselho de Ética é suspensa após Marcos Pollon passar mal; assessoria diz que “levaram o deputado ao limite”

O depoimento do deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados foi interrompido na tarde desta quinta-feira (11) após o parlamentar passar mal e precisar de atendimento médico. A assessoria de Pollon afirmou ao O Contribuinte que “levaram o deputado ao limite hoje”.

Pollon, que responde por envolvimento no motim da direita em agosto — quando manifestantes e parlamentares ocuparam por 48 horas a Mesa Diretora da Câmara em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro — participava de oitiva que também envolve Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC).

Renúncia de advogado e pedido negado

Pouco antes do mal-estar, Pollon havia solicitado a suspensão da sessão após ser pego de surpresa pela renúncia de seu advogado.

“Fui surpreendido pela renúncia”, disse o deputado, argumentando que era necessário aguardar a chegada de um defensor dativo para se inteirar do processo. “É questão de bom senso”, completou.

O pedido, porém, foi negado pelo presidente do Conselho, deputado Josenildo (PDT-AP), que decidiu prosseguir com as oitivas.

Deputado relatou hiperestimulação e falta de sono

Após insistir pela interrupção e ter o pedido indeferido, Pollon avisou que não estava se sentindo bem. Diagnosticado com TEA (Transtorno do Espectro Autista), o parlamentar relatou que a hiperestimulação provocada pela longa jornada o deixava sem dormir há dias.

“Estou desde terça-feira sem dormir por causa de uma comorbidade, e isso está dificultando a fala. Não tô me sentindo bem, a minha mão tá gelada”, disse com a voz entrecortada, pouco antes de ser retirado para atendimento.

Paramédicos foram chamados e o presidente do Conselho determinou a suspensão imediata da reunião.

Sessão será retomada e conduta do advogado será investigada

Josenildo afirmou que as oitivas serão retomadas nesta sexta-feira (12), às 9h, caso Pollon receba liberação médica. O deputado também disse que pedirá à OAB a investigação sobre a conduta do advogado que abandonou o caso.

“As circunstâncias não ficaram claras. Pode haver erro grave de ética”, afirmou.

Contexto: o processo do motim

O processo em julgamento pede suspensão cautelar de 1 mês para Pollon, van Hattem e Zé Trovão.

Eles respondem por obstruir a Mesa da Câmara durante a sessão que tentou reverter o avanço das decisões judiciais após a prisão de Jair Bolsonaro.

Além disso, Pollon enfrenta outro processo, no qual pode ser suspenso por três meses, acusado de declarações difamatórias contra o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

O parlamentar tem citado sua condição de autista para explicar parte de suas ações no episódio, alegando que não compreendeu a situação no momento da disputa pela cadeira da Mesa Diretora.