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Moraes agradece Lula, mas segue mudo sobre contrato de R$ 129 milhões do Banco Master

Durante a inauguração do SBT News, nesta sexta-feira (12), o ministro Alexandre de Moraes fez um discurso de agradecimento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após os Estados Unidos revogarem as sanções impostas a ele e à esposa no âmbito da Lei Magnitsky. Moraes exaltou a atuação do governo e afirmou que “a verdade venceu”, classificando a decisão como uma “tripla vitória” do Judiciário, da soberania nacional e da democracia.

Apesar da longa fala pública, o ministro não comentou um ponto que segue gerando controvérsia: o contrato milionário firmado entre o Banco Master e o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.

O banco, que acumula mais de 77 mil processos na Justiça, fechou um acordo de aproximadamente R$ 3 milhões mensais, totalizando R$ 129 milhões, para serviços jurídicos — e o episódio tem sido alvo de questionamentos sobre transparência e possível conflito de interesses.

Nos últimos dias, parlamentares, juristas e parte da imprensa vêm cobrando explicações. No entanto, mesmo após celebrar a retirada das sanções americanas, Moraes não dedicou uma única palavra ao tema.

Assim, enquanto o ministro agradece ao governo Lula pelo respaldo internacional, o caso do Banco Master continua sem esclarecimentos, reforçando uma assimetria que chama a atenção: aos Estados Unidos, Moraes diz que “a verdade prevaleceu”. Ao público brasileiro, porém, ainda falta a verdade sobre o contrato que beneficiou diretamente sua família.

Documento mostra R$ 3,6 milhões mensais do Master ao escritório da esposa de Moraes

O Portal O Contribuinte teve acesso ao contrato integral firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, pertencente à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

O documento, assinado pelo banco de Daniel Vorcaro, estabelece um dos maiores contratos privados de advocacia já revelados no país.

R$ 3 milhões líquidos por mês e impostos pagos pelo próprio banco

Segundo a cláusula 10, o contrato prevê:

– 36 parcelas mensais de R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais) líquidos,

– sem variação durante os três anos de vigência,

– totalizando R$ 108 milhões líquidos,

– que, somados aos tributos recolhidos pelo banco, chegam ao valor final de aproximadamente R$ 129 milhões.

A cláusula 11 detalha que:

– o valor líquido é calculado após tributos federais que somam 17,73%,

– elevando o desembolso mensal para R$ 3.646.529,77 pagos pelo Master,

– com os tributos deduzidos diretamente na nota fiscal.

Ou seja: o banco arcava integralmente com os impostos, garantindo à banca da esposa de Moraes o recebimento de R$ 3 milhões limpos ao mês, religiosamente.

Atuação em órgãos: BC, Receita, PGFN, Polícia Judiciária, Congresso e até o Judiciário

A cláusula 2.1 revela o ponto mais crítico do acordo. O escritório da esposa de um ministro do STF atuaria em:

– Banco Central (órgão regulador do setor financeiro)

– Receita Federal (administração tributária federal)

– PGFN (cobrança da dívida ativa da União)

– CADE (controle de concorrência)

– Ministério Público

– Polícia Judiciária

– Poder Judiciário

– Congresso Nacional (acompanhamento e articulação legislativa)

Segundo o documento, o escritório coordenaria cinco núcleos de atuação conjunta e complementar, com estratégias administrativa, regulatória, consultiva e contenciosa.

Blindagem institucional de luxo

A atuação nesses órgãos coincide diretamente com as áreas onde o Banco Master:

– é fiscalizado,

– é taxado,

-é investigado,

– e possui litígios ou interesses legislativos.

Não se trata apenas de representação jurídica convencional: é um serviço de proteção institucional integrada. Nas palavras de um especialista ouvido pelo Portal:

“É um tipo de contrato que constrói blindagem, não apenas defesa jurídica. E blindagem nesse nível custa caro, mas não R$ 3 milhões por mês.”

Conexões com o STF ampliam suspeitas

As revelações vêm na esteira de outro escândalo envolvendo o Master: decisões do ministro Dias Toffoli que suspenderam investigações e colocaram processos relacionados ao banco sob sigilo. Reportagens anteriores do Portal O Contribuinte apontam:

– viagens de Toffoli em jatinhos usados por advogados ligados ao Master;

– decisões monocráticas que beneficiaram diretamente o banco;

– e a relação histórica de coordenação entre Toffoli e Alexandre de Moraes desde 2019, quando ambos passaram a atuar juntos no chamado inquérito das fake news.

A publicação do contrato integral pela imprensa expõe um cenário que especialistas classificam como potencial conflito de interesses institucional, ainda que não haja, por enquanto, investigação formal aberta.