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É hora do Ferro “tomar ferro”

Vamos falar a verdade, sem “rodeio”. Prefeito não é dono da cidade. Prefeito não é xerife. E prefeito não pode sair por aí com barra de ferro na mão, indo pra cima de cidadão como se estivesse resolvendo briga de rua.

O episódio envolvendo o prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro, em um posto de gasolina, é grave. Muito grave. Não importa a versão, não importa o discurso de defesa, não importa o histórico de desentendimentos. Nada justifica um prefeito tentar resolver problema pessoal no braço, ainda mais armado com uma barra de ferro.

O prefeito diz que tem boletins de ocorrência contra o cidadão por ameaça à sua família. Se isso é verdade, o caminho é um só: Polícia e Justiça. É assim que funciona num país que se diz democrático. Não existe “justiça com as próprias mãos”, muito menos quando quem perde o controle é um agente público.

E aqui mora a grande contradição.

Sempre que se sente atacado pela imprensa, Juliano Ferro corre para o Judiciário. Processa, pede indenização, fala em calúnia e difamação. Ou seja, quando o problema é com jornalista, ele acredita na lei. Mas quando é com um cidadão comum, resolve partir pra intimidação física?

Isso não fecha a conta. Não dá pra gritar “confio na Justiça” de um lado e, do outro, levantar uma barra de ferro. Isso não é coragem, não é autenticidade, não é espontaneidade. Isso é descontrole.

E mais: o cidadão estava desarmado. Já o prefeito, não. Uma barra de ferro pode matar. Pode causar lesão grave. Isso não é detalhe, é agravante.

Juliano Ferro não é um cidadão qualquer. Ele é prefeito, foi reeleito em 2024, recebe salário público e representa toda a cidade. Justamente por isso, tem que ser cobrado com mais rigor, não com menos.

Muita gente gosta do estilo dele, do jeito direto, da fala sem filtro. Tudo bem. Democracia é isso. Mas uma coisa precisa ficar clara: ser popular não dá licença pra cometer crime. Ser autêntico não autoriza ninguém a partir pra violência.

Se este país levar a sério o que está escrito na lei, a Câmara Municipal de Ivinhema deveria ao menos discutir a abertura de um processo de cassação. Não por vingança política, não por perseguição, mas por responsabilidade. O cargo de prefeito exige equilíbrio, postura e respeito à lei.

Hoje, não é a imprensa que está atacando o prefeito.

Hoje, os fatos falam por si.

E os fatos mostram que, quando um prefeito troca o diálogo e a Justiça por uma barra de ferro, é hora do Ferro tomar ferro…. dentro da lei, do jeito certo e com o devido processo legal.