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Em meio ao colapso da Santa Casa, Alir Terra registra BO para tentar calar crítico da gestão

Alir Terra aciona a polícia contra o advogado Oswaldo Meza enquanto a Santa Casa enfrenta dívidas milionárias, atrasos salariais e paralisações de profissionais da saúde

Em meio à mais grave crise financeira e institucional de sua história recente, a Santa Casa de Campo Grande passou a adotar uma nova estratégia: tentar calar quem critica sua gestão. A presidente da instituição, Alir Terra, registrou um boletim de ocorrência contra o advogado Oswaldo Meza, conhecido como Dr. Meza, após a divulgação de um vídeo em que ele faz críticas públicas à condução administrativa do hospital.

O registro do BO ocorreu na Depac e tem como base um vídeo publicado nas redes sociais, gravado em frente à entrada principal da Santa Casa. No conteúdo, o advogado questiona a gestão financeira, a falta de transparência e os impactos da crise sobre médicos, enfermeiros e pacientes do SUS.

Crítica vira caso de polícia

No boletim de ocorrência, Alir Terra sustenta que as declarações “ultrapassam o direito à crítica” e atingem sua honra e a imagem da instituição. O que chama atenção, porém, é que o autor das críticas não é um agitador político ou anônimo de redes sociais, mas um advogado que atua formalmente na fiscalização da gestão pública e que já ingressou com medidas judiciais para apurar possíveis irregularidades na Santa Casa.

Oswaldo Meza é presidente do Instituto Artigo Quinto (IA5º) e autor de uma ação de produção antecipada de provas, com o objetivo de instruir futura Ação Civil Pública. A medida busca esclarecer eventuais conflitos de interesse, falhas de governança, ausência de transparência e má gestão de recursos públicos na Santa Casa e na operadora Santa Casa Saúde.

Ou seja, trata-se de um crítico com atuação institucional e jurídica, não de opinião desinformada.

Repasses não explicam tudo

Alir Terra insiste em atribuir a crise exclusivamente à falta de repasses públicos e à defasagem dos valores pagos pelo SUS. No entanto, o histórico recente mostra que nem aportes extraordinários, nem decisões judiciais, nem ações contra o Estado e o Município foram suficientes para estancar o colapso.

O próprio Judiciário já determinou a apresentação de plano emergencial, sob pena de sequestro mensal de recursos públicos, reconhecimento explícito da gravidade da situação.

Isso reforça o argumento central levantado pelo advogado agora alvo do BO: o problema não é apenas falta de dinheiro, mas também gestão.

Conflitos e falta de transparência

A ação do Instituto Artigo Quinto aponta que a Santa Casa não disponibiliza relatórios financeiros analíticos, auditáveis e detalhados, descumprindo o próprio estatuto da entidade. Também levanta questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse, inclusive a coincidência de endereços comerciais envolvendo o advogado contratado pela Santa Casa e a atual presidente da instituição.

Embora a coincidência, por si só, não configure ilegalidade, ela exige transparência absoluta, algo que a gestão ainda não entregou.