Fundo Garantidor de Créditos deve desembolsar mais de R$ 6 bilhões, custo que recai indiretamente sobre todo o sistema financeiro
O Banco Central decretou, nesta quarta-feira (21), a liquidação extrajudicial do Will Bank, banco digital com sede em São Paulo e integrante do conglomerado do Banco Master. A medida escancara um efeito dominó no sistema financeiro brasileiro após o colapso do Master, liquidado em novembro, e levanta um alerta: mais uma vez, a conta tende a recair sobre todo o sistema — e, indiretamente, sobre o contribuinte.
Criado em 2017, o Will Bank passou a integrar o grupo Master em 2024 e experimentou um crescimento acelerado, chegando a atender quase 6 milhões de clientes, número que, segundo dados do próprio mercado, pode chegar a 12 milhões de contas impactadas. O avanço, no entanto, não foi acompanhado de sustentabilidade financeira.
De acordo com o Banco Central, a liquidação foi motivada pelo “comprometimento da situação econômica” da instituição e pela incapacidade de honrar suas próprias dívidas, consequência direta do vínculo de interesse com o Banco Master. O BC destacou que havia evidências claras do exercício de poder do Master sobre o Will Bank, o que acabou contaminando a saúde financeira do banco digital.
R$ 6 bilhões: quem paga?
Com a liquidação, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deverá desembolsar mais de R$ 6 bilhões para ressarcir correntistas e investidores dentro dos limites legais. Embora o FGC seja mantido por contribuições das próprias instituições financeiras, o impacto não é neutro: o custo acaba sendo repassado ao mercado e, no fim da cadeia, ao cidadão comum, seja por tarifas mais altas, crédito mais caro ou menor oferta de serviços.
O episódio reacende o debate sobre a efetividade da fiscalização, a concentração de riscos em conglomerados financeiros e a permissividade com modelos de crescimento agressivos, muitas vezes sustentados por estruturas frágeis.
Alerta ao sistema
A queda do Will Bank não é um caso isolado, mas mais um capítulo de uma sequência de intervenções recentes no setor financeiro. Para especialistas, o episódio expõe falhas de governança, supervisão e gestão de riscos — problemas que, quando explodem, exigem respostas rápidas do Estado e do sistema financeiro.
Enquanto isso, milhões de clientes aguardam orientações sobre ressarcimentos e o mercado observa, com cautela, quem será o próximo a cair nesse efeito dominó.
No fim das contas, permanece a pergunta que sempre retorna: até quando o contribuinte continuará pagando a conta de má gestão no sistema financeiro?