Junta Comercial aponta empresa ligada ao irmão do ministro como sócia de resort envolvido no caso Master
A tentativa de negar vínculos não resistiu aos documentos. Em meio ao escândalo que envolve o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro, novas informações colocam no centro das atenções a família do ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
A cunhada do ministro, Cássia, afirmou em conversa com o jornal O Estado de S. Paulo que o marido, José Eugênio Dias Toffoli, irmão do magistrado, jamais foi dono do Resort Tayayá.
Segundo ela, qualquer ligação seria “invenção” e a residência da família, em Marília, teria sido adquirida há mais de 20 anos com recursos próprios.
O problema é que os registros oficiais contam outra história.
O que dizem os documentos
Dados da Junta Comercial indicam que o endereço da casa da família em Marília aparece como sede da Meredith Participações, empresa que, em 2020, adquiriu 33% do Resort Tayayá, em uma operação estimada em R$ 3 milhões.
Mais grave: essa participação foi posteriormente vendida a um fundo ligado a um cunhado de Daniel Vorcaro, o banqueiro hoje investigado no caso Master — processo relatado justamente por Dias Toffoli no STF.
Cássia afirmou não conhecer a empresa, o resort nem a transação. Disse ter ficado surpresa e indignada. O repórter, por sua vez, foi categórico: não inventou nada, apenas seguiu o caminho dos registros públicos até o endereço formalmente indicado como sede da empresa.
Quando a ignorância agrava o caso
É perfeitamente possível que Cássia realmente desconheça as operações. Mas isso não inocenta nem explica nada. Pelo contrário: agrava.
Empresas não surgem sozinhas. Contratos não se assinam por acaso. Milhões não circulam sem que alguém saiba exatamente o que está fazendo. Se a esposa desconhecia, resta a pergunta central:
O que o irmão do ministro-relator sabia — ou sabe — sobre essas operações?
E por que isso ainda não foi explicado?
Conflito institucional
O caso se torna ainda mais sensível porque o ministro Dias Toffoli não é um observador distante, mas o relator do processo que envolve o Banco Master, Daniel Vorcaro e os desdobramentos financeiros ligados ao resort.
A coexistência de:
- vínculo familiar,
- participação societária milionária,
- venda a fundo ligado ao investigado,
- e atuação direta do ministro no caso
forma um ambiente institucionalmente tóxico, incompatível com a transparência exigida de um magistrado da mais alta Corte do país.