Manifestação ocorre após operação policial, apreensões milionárias e denúncia de golpe de R$ 5 milhões
O grupo Zahran divulgou uma nota pública nesta quarta-feira, 28, após membros da família, Gabriel Gandi Zahran Georges e Camilo Gandi Zahran Georges, tornarem-se alvos da segunda fase da Operação Castelo de Cartas, deflagrada pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de São José do Rio Preto (SP).
A manifestação ocorre em meio à repercussão da operação policial, que cumpriu mandados em condomínios de alto padrão em Campo Grande, resultou em apreensões milionárias e colocou no centro das investigações herdeiros de uma das famílias empresariais mais poderosas do Mato Grosso do Sul e do Mato Grosso.
Na nota, o grupo empresarial afirma que as investigações não têm relação com as empresas do conglomerado, reforçando que os alvos da operação não exercem funções administrativas ou de gestão nas companhias controladas pela família. A manifestação também busca preservar a imagem institucional do grupo, que atua há décadas nos setores de energia, gás e comunicação.
Leia na íntegra a nota do Grupo Zahran
“O Grupo Zahran vem a público esclarecer as seguintes informações. Duas pessoas mencionadas na reportagem anterior são membros da família Zahran. No entanto, não possuem nenhum vínculo societário ou comercial com qualquer empresa do grupo. Ressaltamos que o Grupo Zahran não mantém relação com as empresas mencionadas nas investigações e reforça que os fatos mencionados não têm relação com suas atividades”.
Operação Castelo de Cartas
A Operação Castelo de Cartas apura um esquema de fraudes financeiras e estelionato, no qual empresários teriam sido induzidos a investir em empresas de fachada, atraídos por promessas de altos retornos financeiros e pelo uso de um sobrenome de grande peso econômico.
Segundo a polícia, Gabriel e Camilo Zahran teriam explorado a credibilidade associada ao nome da família para conferir aparência de legitimidade aos negócios oferecidos às vítimas. Durante a operação, foram apreendidos dez veículos de luxo, armas de fogo, joias, relógios e mais de R$ 1,75 milhão em dinheiro vivo.
Por que os herdeiros foram alvo
De acordo com a Deic, embora os investigados façam parte da família proprietária do conglomerado, não integravam a administração formal das empresas, mas teriam criado uma estrutura paralela de investimentos, sem lastro real, para captar recursos.
A polícia aponta que os irmãos seriam responsáveis pela gestão da associação criminosa, atuando na negociação de empresas fictícias e na movimentação de valores por meio de terceiros.
Camilo segue foragido
Contra Camilo Gandi Zahran Georges há mandado de prisão em aberto. Ele não foi localizado durante a operação e, até o momento, não se apresentou às autoridades, sendo considerado foragido da Justiça. Já Gabriel foi alvo de buscas e chegou a prestar esclarecimentos às autoridades.
Denúncia de golpe de R$ 5 milhões vem à tona
Além da investigação policial, o portal O Contribuinte revelou com exclusividade que Camilo Zahran já havia sido denunciado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, em dezembro de 2025, por um golpe estimado em R$ 5 milhões.
Segundo a denúncia, Camilo teria utilizado relações pessoais e o prestígio do sobrenome Zahran para convencer um casal de empresários a investir em negócios inexistentes, como exportação de ouro, representação comercial e participação em rede de supermercados. A ação penal tramita na 1ª Vara Criminal Residual de Campo Grande e está na fase inicial, aguardando a citação dos denunciados.