Prefeitura venceu por um voto após forte articulação política e mudança no quórum
A manutenção do veto da prefeita Adriane Lopes ao projeto que suspendia os efeitos do decreto da taxa do lixo continua repercutindo nos bastidores da Câmara Municipal de Campo Grande. E parte dos vereadores já tem um diagnóstico claro sobre o que teria sido determinante para o resultado apertado: o adiamento da votação na sessão anterior.
Parlamentares ouvidos pelo portal O Contribuinte, sob condição de anonimato, colocam na conta da vereadora Luiza Ribeiro (oposição declarada à prefeita) o que classificam como a “derrota” da derrubada do veto.
O movimento
Na última sessão ordinária realizada na terça-feira, 3, Luiza Ribeiro propôs a realização de uma audiência pública para discutir amplamente a taxa do lixo e os impactos no IPTU, envolvendo todos os atores, Executivo, Legislativo e sociedade civil. O pedido acabou resultando na procrastinação da votação.
Segundo vereadores que conversaram com a reportagem, naquele momento havia quórum suficiente para alcançar os 15 votos necessários para derrubar o veto da prefeita.
“O cenário era outro. Tinha número. O adiamento mudou tudo”, afirmou um parlamentar.
Placar apertado e ausências decisivas
Na sessão desta terça-feira (10), o placar final registrou 14 votos pela derrubada do veto, 8 votos pela manutenção e 6 ausências. Para derrubar o veto, eram necessários 15 votos contrários. A Prefeitura venceu por apenas um voto de diferença.
Estiveram ausentes:
– Dr. Lívio
– Fábio Rocha
– Junior Coringa
– Landmark
– Neto Santos
– Silvio Pitu
Na avaliação de vereadores ouvidos pelo Contribuinte, a ausência de parte desses parlamentares foi determinante.
“Alguns que poderiam ter decidido não estavam. Isso pesou”, relatou outro vereador.
Pressão e articulação do Executivo
Entre o adiamento da votação e a sessão decisiva, houve uma forte articulação política do Poder Executivo.
Como o próprio portal O Contribuinte já havia relatado, a Prefeitura intensificou o diálogo com os parlamentares, defendendo que a manutenção do veto era fundamental para garantir continuidade das obras, equilíbrio financeiro e execução do orçamento ao longo do ano.
Nos bastidores, vereadores admitem que houve pressão política e técnica, com argumentação voltada ao impacto direto nas obras e contratos já em andamento.
Estranheza
O que causou maior estranheza entre os parlamentares foi o fato de o movimento que culminou no adiamento ter partido justamente de Luiza Ribeiro, uma das principais vozes de oposição à prefeita Adriane Lopes.
Para parte da base que defendia a derrubada do veto, o pedido de audiência pública acabou, na prática, dando tempo para reorganização da base governista e fortalecimento da articulação do Executivo.
“Sem o adiamento, o resultado poderia ter sido outro”, avaliou um vereador.
Como votaram
Votos pela manutenção do veto (Sim)
Beto Avelar
Carlão
Delei Pinheiro
Dr. Jamal
Dr. Victor Rocha
Leinha
Professor Juari
Wilson Lands
Votos pela derrubada do veto (Não)
André Salineiro
Ana Portela
Clodoilson Pires
Flávio Cabo Almi
Herculano Borges
Jean Ferreira
Luiza Ribeiro
Maicon Nogueira
Marquinhos Trad
Otávio Trad
Professor Riverton
Rafael Tavares
Ronilço Guerreiro
Veterinário Francisco
Presidente:
Papy (não vota, salvo em caso de empate)
Leitura política
O episódio escancarou a fragilidade das articulações e mostrou que, em votações apertadas, tempo é fator determinante.
A manutenção do veto consolidou uma vitória estratégica do Executivo. Já entre os parlamentares que defendiam a derrubada, permanece a avaliação de que o adiamento da votação foi decisivo para alterar o cenário.
Nos corredores da Câmara, a frase que mais se ouviu após a sessão foi direta:
“Essa conta tem dono.”