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Caso Master: Polícia Federal prepara pedido ao STF para quebrar sigilo de fundo associado a familiares de Toffoli

Agentes apontam indícios de crime e enviam relatório de 200 páginas ao Supremo

A Polícia Federal deve encaminhar ao Supremo Tribunal Federal um pedido de quebra de sigilo do fundo Maridt, ligado a familiares do ministro Dias Toffoli, no âmbito das investigações sobre fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master. A medida é considerada estratégica pelos investigadores para rastrear o fluxo financeiro relacionado ao banqueiro Daniel Vorcaro.

De acordo com fontes ouvidas pela CNN, os agentes suspeitam da prática de corrupção passiva por parte do ministro, embora, até o momento, Toffoli não figure formalmente como investigado. O relatório produzido pela PF, com cerca de 200 páginas, foi entregue ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, e aponta indícios que, na avaliação da corporação, justificam o aprofundamento das diligências.

Entre os elementos citados no documento estão registros de mais de dez encontros presenciais entre Vorcaro e Toffoli. As informações constam em mensagens apreendidas nos celulares do banqueiro e reforçaram a necessidade de remessa do inquérito ao Supremo, conforme determina o artigo 33 da Lei Orgânica da Magistratura, aplicado quando há indícios da prática de crime por membro do Judiciário.

Rastro do dinheiro

A Polícia Federal também pretende solicitar outras medidas investigativas para percorrer o caminho do dinheiro e verificar supostos pagamentos ao ministro da Suprema Corte. A apuração envolve operações financeiras e movimentações societárias, incluindo a participação do fundo Maridt no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), cuja fatia foi posteriormente vendida a um fundo ligado a Vorcaro.

A admissão, por parte de Toffoli, de que era um dos sócios do fundo Maridt marcou uma mudança relevante no caso. Até então, o ministro negava qualquer vínculo com estruturas financeiras relacionadas ao banqueiro. Após a divulgação do relatório da PF, reconheceu a participação societária, mas segue negando qualquer irregularidade.

Em nota enviada à CNN Brasil, o gabinete do ministro afirmou que ele “jamais integrou qualquer fundo de investimento” e que todos os questionamentos feitos pela Polícia Federal já foram respondidos no âmbito da AS 244. Segundo a manifestação, o presidente do STF teria determinado o arquivamento do caso.

Novo relator e expectativa na PF

Nos bastidores, investigadores avaliam que a mudança na relatoria pode acelerar o andamento das apurações. O ministro André Mendonça, que assumiu a condução do caso, é visto por integrantes da PF como alguém que poderá “destravar” as diligências. A atuação dele em investigações anteriores, como no caso das fraudes no INSS, é considerada positiva por membros da corporação.

O avanço do pedido de quebra de sigilo será um teste relevante para a condução do caso no Supremo. Para além das suspeitas individuais, o episódio reacende o debate sobre transparência, accountability e a necessidade de rigor absoluto quando indícios atingem integrantes da mais alta Corte do país.

No Caso Master, a PF sinaliza que pretende seguir o rastro financeiro até as últimas consequências. O desfecho agora dependerá da autorização do STF para aprofundar as diligências solicitadas.