Reinaldo quer candidatura única, mas ala bolsonarista pode ganhar aval direto do ex-presidente
A lista de pré-candidatos que o ex-presidente Jair Bolsonaro prepara para o Senado e governos estaduais já provoca tensão em diversos estados e Mato Grosso do Sul está no epicentro desse movimento.
Conforme apurou com exclusividade o Portal O Contribuinte, Bolsonaro sinaliza que deseja uma chapa “puro sangue” do PL em Mato Grosso do Sul, repetindo o modelo defendido em Santa Catarina, onde validou os nomes de Carol de Toni e Carlos Bolsonaro ao Senado, deixando de fora o senador Esperidião Amin (PP) e colocando em xeque as articulações de Valdemar Costa Neto e Ciro Nogueira.
O movimento catarinense acendeu alerta nacional. E em MS o cenário é semelhante.
Reinaldo quer candidatura única, mas Bolsonaro sinaliza dois nomes
Presidente estadual do PL, o ex-governador Reinaldo Azambuja trabalha para ser o único candidato do partido ao Senado e negociar a segunda vaga com seu grupo político, que reúne diversas siglas, dentro de uma coalizão mais ampla que tem como prioridade a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP).
O problema é que Bolsonaro, segundo fontes ouvidas pelo O Contribuinte, quer uma chapa 100% alinhada ao bolsonarismo.
A sinalização é clara: validar Reinaldo e indicar um segundo nome do PL raiz, que pode ser o ex-deputado Capitão Contar ou a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira.
Caso não haja espaço interno, existe ainda a possibilidade de um dos dois migrar para o Novo e disputar o Senado com o selo bolsonarista, apostando que o eleitor sul-mato-grossense tenderia a votar em candidatos explicitamente ligados ao ex-presidente.
O gesto, se confirmado, inviabiliza a estratégia de candidatura única defendida por Reinaldo e pode criar um racha interno.
Pollon corre por fora
Outro nome que observa o cenário é o deputado federal Marcos Pollon. Ele já declarou publicamente que pode disputar o governo do Estado, mas também mantém aberta a possibilidade de concorrer ao Senado.
O Contribuinte apurou que Pollon acompanha diretamente os desdobramentos da lista de Bolsonaro e aguarda uma definição do ex-presidente antes de bater o martelo.
Com isso, o cenário sul-mato-grossense permanece indefinido, e pode se tornar a eleição mais complexa da trajetória recente de Reinaldo Azambuja.
Santa Catarina como alerta
O caso de Santa Catarina serve como termômetro. Lá, a decisão de Bolsonaro por uma chapa puro sangue com Carol de Toni e Carlos Bolsonaro contrariou acordos costurados entre PL e PP. O senador Esperidião Amin, que buscava a reeleição com apoio previamente alinhado, viu o cenário mudar repentinamente.
A movimentação tensionou diretamente a relação entre Valdemar Costa Neto (PL) e Ciro Nogueira (PP), já que os partidos pretendem repetir dobradinhas estratégicas em outros estados, entre eles, Mato Grosso do Sul.
Valdemar deve procurar Bolsonaro
Diante do cenário de incerteza, o Portal O Contribuinte apurou que o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, pretende visitar Jair Bolsonaro nas próximas semanas para tentar assegurar algumas articulações e reduzir os ruídos internos.
A preocupação não é apenas estadual. A consolidação de chapas puro sangue pode gerar “problemas” em estados onde o PL já tem compromissos firmados com outras legendas.
A lista que pode mudar o jogo
A declaração de Carlos Bolsonaro, afirmando que o ex-presidente está confeccionando uma lista de pré-candidatos mesmo diante de problemas de saúde, criou expectativa e apreensão.
Se Bolsonaro optar por priorizar nomes considerados “raiz”, pode frustrar acordos já anunciados. Se mantiver compromissos firmados anteriormente, poderá desagradar a ala mais ideológica.
Uma coisa é certa: a lista de Bolsonaro ainda nem foi divulgada oficialmente, mas já provoca terremotos nos bastidores.
E em Mato Grosso do Sul, o jogo está longe de estar decidido.