Bilhete com apoio a Riedel e nomes “fixos” ao Senado expõe bastidores; Gianni Nogueira e Marcos Pollon reagem e negam pedido de recursos para desistência
O vazamento de anotações feitas pelo senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), durante atendimentos políticos na sede nacional do Partido Liberal, em Brasília, caiu como uma bomba no meio político de Mato Grosso do Sul.
Entre diversos estados listados nos apontamento que, segundo o próprio senador, faziam parte de reuniões para definição de palanques estaduais ao Senado e aos governos, o nome de Mato Grosso do Sul chamou atenção pelo detalhamento e pelos nomes considerados “fixos” dentro da estratégia do partido.
Três nomes consolidados
De acordo com o conteúdo divulgado, aparecem como definidos ou encaminhados:
– Eduardo Riedel (PP) — com apoio do PL à sua reeleição ao Governo do Estado;
– Reinaldo Azambuja (PL) — ex-governador, atual presidente estadual do partido e pré-candidato ao Senado;
– Capitão Contar (PL) — também citado como nome ao Senado, com observação de que estaria “melhor nas pesquisas” ou liderando levantamentos internos.
A presença dos três nomes nas anotações praticamente consolida a construção de um palanque no Estado, com Riedel encabeçando a chapa ao governo e uma possível dobradinha ao Senado entre Reinaldo Azambuja e Capitão Contar.
O cenário carrega ainda uma ironia política: em 2022, Riedel e Contar disputaram o segundo turno pelo Governo do Estado. Agora, ao que tudo indica, podem estar no mesmo projeto político em 2026.
As situações atípicas: R$ 5 milhões e R$ 15 milhões
Além dos nomes considerados consolidados, duas anotações chamaram atenção e provocaram forte reação pública.
Nos apontamentos atribuídos a Flávio Bolsonaro constariam observações de que:
– A esposa de Rodolfo Nogueira teria pedido R$ 5 milhões;
– O deputado federal Marcos Pollon (PL) teria pedido R$ 15 milhões para não ser candidato ao governo de Mato Grosso do Sul.
No caso citado como “mulher”, trata-se de Gianni Nogueira, esposa de Rodolfo Nogueira e também pré-candidata ao Senado.
Reações imediatas
Após a divulgação das imagens, tanto Gianni Nogueira quanto Marcos Pollon vieram a público.
Gianni Nogueira
Em nota oficial divulgada nas redes sociais, Gianni afirmou que:
– Não pediu qualquer valor a ninguém;
– Não tratou de cifras com o presidente estadual ou nacional do PL;
– Não conversou com Flávio Bolsonaro sobre recursos relacionados à sua pré-campanha;
– Considera a informação “absolutamente falsa”.
Ela reforçou que segue firme como pré-candidata ao Senado e classificou o episódio como tentativa de desgaste político.
Além da nota escrita, Gianni publicou vídeo reafirmando sua posição e negando qualquer negociação para recuar.
Marcos Pollon
O deputado federal também utilizou as redes sociais para reagir. Pollon classificou o episódio como mentira e afirmou que não negocia princípios nem sua atuação política. Ele reforçou que permanece como pré-candidato ao Governo do Estado.
Pollon também destacou que não negocia pautas, nem posições políticas, e que segue fiel ao seu projeto.
O posicionamento de Flávio Bolsonaro
Diante da repercussão, Flávio Bolsonaro concedeu esclarecimentos logo após o vazamento.
O senador afirmou que:
– As anotações eram registros do que estava sendo relatado a ele durante reuniões;
– Não se tratavam de fatos confirmados, mas de informações que estavam sendo levadas à direção nacional;
– O documento não se restringia a Mato Grosso do Sul, mas incluía diversos estados;
– Não houve confirmação de que qualquer valor tenha sido solicitado por Gianni ou Pollon.
Segundo ele, os registros representavam relatos de bastidores, e não necessariamente situações concretas ou acordadas.
O impacto político no Estado
Apesar dos desmentidos, o episódio já produz efeitos políticos.
Com apenas duas vagas ao Senado, e com os nomes de Reinaldo Azambuja e Capitão Contar praticamente consolidados dentro do PL, em construção que envolve Valdemar Costa Neto e o ex-presidente Jair Bolsonaro, o espaço partidário para outras pré-candidaturas ao Senado se estreita.
Gianni Nogueira mantém sua pré-candidatura e afirma contar com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. Contudo, nos bastidores, cresce a avaliação de que poderá buscar outra legenda, sendo o Partido Novo uma possibilidade.
No caso de Marcos Pollon, o cenário também é desafiador. Embora siga como pré-candidato ao governo, o parlamentar enfrenta dificuldades partidárias. O Novo, que já dialogou com ele no passado, recentemente convidou o deputado estadual João Henrique Catan (PL) para disputar o governo, o que altera o tabuleiro político.
Construção nacional e alinhamento
O que se desenha, ao que tudo indica, é uma construção alinhada nacionalmente:
– Eduardo Riedel com apoio formal do PL;
– Reinaldo Azambuja e Capitão Contar formando a chapa ao Senado;
– Palanque estadual alinhado ao projeto presidencial de Flávio Bolsonaro.
A movimentação reforça que as decisões não são isoladas, mas fazem parte de uma engenharia eleitoral nacional visando 2026.
Mato Grosso do Sul segue indefinido?
Apesar do impacto das anotações, oficialmente o cenário ainda permanece em fase de pré-campanha. Gianni Nogueira e Marcos Pollon mantêm suas posições públicas e não anunciaram recuo.
Contudo, dentro do PL, o desenho revelado nas anotações aponta para uma definição praticamente consolidada.
O vazamento expôs bastidores, acelerou movimentações e antecipou disputas que, até então, ocorriam longe dos holofotes.