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Após denúncia de estupro, Conselho de Pastores confirma afastamento de Douglas Mandu; veja jota

Pastor também foi afastado do cargo na Prefeitura de Campo Grande; caso segue sob investigação na Deam

O Conselho Municipal de Pastores de Campo Grande (Consepacg) divulgou nota oficial na tarde desta terça-feira (3) informando que o pastor Douglas Alves Mandu solicitou afastamento voluntário de suas funções na diretoria da entidade. A manifestação ocorre após a divulgação de denúncia de estupro registrada na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).

Douglas, de 35 anos, também exercia o cargo de coordenador do Centro de Múltiplas Referências e Convivência do Idoso “Edmundo Scheuneman” (CCI Piratininga), na gestão da prefeita Adriane Lopes, e foi afastado pela Prefeitura de Campo Grande.

A nota do Conselho

No comunicado oficial, o Consepacg afirma que o pedido de afastamento foi apresentado “de forma espontânea” e aceito pelo colegiado em reunião regularmente convocada.

A entidade destaca que a medida foi adotada “até que sejam devidamente esclarecidos os fatos relativos às denúncias que envolvem sua pessoa”.

O Conselho reforçou ainda seu compromisso com “os princípios bíblicos, a ética ministerial e a condução transparente de suas atribuições”, ressaltando que não cabe à instituição emitir juízo de culpa ou inocência de seus membros, atribuindo essa responsabilidade aos órgãos competentes.

“Ressaltamos que não cabe a este conselho emitir juízo de culpa ou inocência de seus membros, cabendo tal análise e julgamento aos órgãos competentes”, diz trecho da nota.

Ao final, o Consepacg enfatiza a importância da unidade do Corpo de Cristo e do fortalecimento da comunhão entre líderes espirituais do município.

A nota é assinada pela Diretoria do Conselho Municipal de Pastores de Campo Grande e datada de 3 de março de 2026.

A denúncia

Conforme boletim de ocorrência, a vítima, hoje com 21 anos, denunciou que foi estuprada em julho de 2019, quando tinha 15 anos. O crime teria ocorrido na casa do irmão dela, durante o período de férias escolares.

Segundo o relato, o pastor teria ido ao imóvel procurando pelo irmão da adolescente. Mesmo após ser informado de que ele não estava, entrou na residência, empurrou a jovem para um quarto e praticou o ato sexual. A vítima afirma que era virgem e que houve sangramento e dor.

Ainda conforme o registro policial, após o crime, o suspeito teria retornado ao local com um comprimido, que a vítima acredita se tratar de pílula do dia seguinte.

Ela também relatou que foi ameaçada e que o autor teria dito que mataria seus familiares caso o fato fosse revelado. A jovem afirma que desenvolveu problemas psicológicos em decorrência do ocorrido.

O caso foi registrado na Deam e segue sob investigação.

Medida protetiva negada

A jovem solicitou medida protetiva de urgência, mas o pedido foi negado pela 4ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. A magistrada entendeu que não estão presentes os requisitos legais, sob o argumento de que não há relação íntima de afeto ou vínculo doméstico-familiar entre as partes.

Na decisão, foi ressaltado que o indeferimento não impede que a vítima formule novo pedido em juízo adequado.

Chama a atenção o fato de que, conforme consta no boletim de ocorrência, o pastor já teria sido alvo de outro registro por estupro, formalizado em 2024 na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA).

Igreja se manifesta

A assessoria de comunicação da igreja à qual o pastor é ligado informou que o caso foi encaminhado à diretoria e será analisado pela Comissão de Ética.

Até a publicação desta matéria, Douglas Alves Mandu não havia se manifestado. O espaço segue aberto para eventual posicionamento da defesa.