Ministro respondeu com três mensagens de visualização única no WhatsApp
Uma troca de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encontrada pela Polícia Federal, abriu um novo capítulo de questionamentos envolvendo a atuação do magistrado.
Segundo revelação da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, Vorcaro enviou uma mensagem a Moraes na manhã de 17 de novembro, poucas horas antes de ser preso pela Polícia Federal.
Na mensagem, o empresário perguntou ao ministro:
“Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”
A mensagem foi enviada às 7h19 da manhã. Logo em seguida, Moraes respondeu utilizando três mensagens de visualização única no WhatsApp, recurso que faz com que o conteúdo desapareça após ser aberto.
Por conta disso, não é possível saber o que foi respondido pelo ministro.
Horas depois, às 22h, Vorcaro seria preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar em um avião particular com destino a Dubai, com escala em Malta.
Conversas estavam no celular apreendido
De acordo com as investigações, a troca de mensagens foi encontrada pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, apreendido durante as apurações da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes envolvendo o Banco Master.
Além da conversa do dia da prisão, a PF também identificou outras trocas de mensagens entre Moraes e Vorcaro registradas em 1º de outubro de 2025. No entanto, nesses casos, o conteúdo também não pode ser conhecido porque as mensagens foram apagadas ou enviadas com visualização única.
Segundo os investigadores, também há registros de telefonemas entre o banqueiro e o ministro.
Moraes nega existência das mensagens
Questionado pelo jornal O Globo, o ministro Alexandre de Moraes negou ter recebido as mensagens mencionadas na reportagem.
Em nota enviada por sua assessoria, afirmou que as informações seriam falsas.
“Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal.”
Apesar da negativa, os registros da conversa estariam documentados no material apreendido pela Polícia Federal, segundo a reportagem.
Tentativa de evitar prisão
No mesmo dia em que enviou a mensagem a Moraes dizendo que havia feito uma “correria para salvar”, o Banco Master adotou uma série de movimentos jurídicos e empresariais.
Um deles foi o envio de uma petição à 10ª Vara Federal de Brasília, onde o inquérito corria em sigilo, tentando impedir eventuais medidas cautelares contra o banqueiro.
O documento foi enviado apenas 18 minutos após o juiz Ricardo Leite determinar a prisão de Vorcaro, decisão que deveria ser conhecida apenas pelo gabinete do magistrado e pelos investigadores.
Horas depois, outro movimento ocorreu: o anúncio da venda do Banco Master para o grupo Fictor, ligado a investidores árabes, em uma operação avaliada em R$ 3 bilhões.
Mesmo com a tentativa de negociação, Vorcaro foi preso na mesma noite e, no dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação da instituição financeira.
Pressão por explicações
A revelação da troca de mensagens entre um investigado pela Polícia Federal e um ministro do Supremo Tribunal Federal levantou questionamentos sobre a natureza do contato entre ambos.
Especialistas ouvidos por diferentes veículos apontam que a situação exige esclarecimentos públicos, sobretudo diante do fato de que a resposta de Moraes foi feita por meio de mensagens que desaparecem e cujo conteúdo permanece desconhecido.
O caso também reacende debates sobre a necessidade de apuração institucional, já que, em situações semelhantes envolvendo cidadãos comuns ou autoridades de menor escalão, investigações costumam ser abertas automaticamente.
Diante das novas revelações, cresce a pressão para que o ministro explique publicamente o teor das conversas e o contexto da comunicação com Vorcaro, especialmente no dia em que o banqueiro tentava evitar sua prisão.
Enquanto isso, o episódio se soma a uma série de controvérsias envolvendo o caso Banco Master e amplia as dúvidas sobre os bastidores da investigação que levou à prisão do empresário.