Governador de Minas Gerais é visto como peça-chave para fortalecer palanque no segundo maior colégio eleitoral do país
Nos bastidores do Partido Liberal (PL), cresceu nos últimos dias a movimentação para que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), seja o candidato a vice-presidente em uma eventual chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial.
O nome de Zema já vinha sendo citado em conversas políticas há algum tempo, mas, segundo interlocutores do partido, a hipótese ganhou força recentemente dentro da legenda.
A avaliação de lideranças do PL é de que a eleição presidencial de 2026 exigirá a construção de palanques estaduais robustos, especialmente em colégios eleitorais estratégicos. E nenhum deles é visto como mais decisivo do que Minas Gerais.
Minas Gerais no centro da estratégia
Com mais de 16 milhões de eleitores, Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e historicamente exerce grande influência no resultado das eleições presidenciais.
Há, inclusive, um ditado tradicional da política brasileira segundo o qual quem vence em Minas Gerais tende a vencer também a eleição presidencial no país.
Diante desse peso eleitoral, o PL avalia que garantir um palanque forte no Estado pode ser determinante para o projeto nacional da direita em 2026.
Nesse contexto, a presença de Romeu Zema como vice na chapa de Flávio Bolsonaro seria uma forma de consolidar politicamente a aliança com Minas Gerais e ampliar o alcance eleitoral da candidatura.
Vantagem estratégica sobre Lula
Outro fator que impulsiona a articulação é o cenário político no próprio Estado.
Segundo interlocutores do PL, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deve disputar a reeleição, ainda enfrenta dificuldades para montar um palanque competitivo em Minas.
Nos bastidores, Lula tenta convencer o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), a disputar o governo mineiro. A candidatura, no entanto, ainda não se consolidou.
Diante dessa indefinição, aliados de Flávio Bolsonaro defendem que a direita antecipe o movimento e feche rapidamente um arranjo político forte no Estado, antes que o campo governista consiga se organizar.
Aliança entre PL e Novo
A eventual escolha de Romeu Zema também teria impacto simbólico e político ao aproximar ainda mais PL e Partido Novo, duas siglas que compartilham parte significativa do eleitorado liberal e conservador.
Zema, que governa Minas desde 2019 e construiu forte imagem entre eleitores de perfil liberal, é visto como um nome capaz de ampliar a base política da chapa presidencial e reforçar o discurso econômico da campanha.
Embora nenhuma decisão oficial tenha sido anunciada, o avanço das conversas indica que o PL busca consolidar desde já uma engenharia eleitoral capaz de unificar forças da direita e fortalecer o projeto presidencial liderado por Flávio Bolsonaro.
Nos bastidores de Brasília, a avaliação é de que Minas Gerais pode se transformar em um dos principais campos de batalha da eleição presidencial de 2026.