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João Henrique Catan deixa o PL, se filia ao Novo e lança pré-candidatura ao governo de MS

Deputado estadual oficializou filiação ao Partido Novo em ato no Marco Zero de Campo Grande e marcou início do projeto político para as eleições de 2026

O deputado estadual João Henrique Catan oficializou neste domingo (8) sua filiação ao Partido Novo, em ato no Marco Zero de Campo Grande, e foi apresentado como pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul nas eleições de 2026. O evento, realizado em frente ao Monumento dos Desbravadores, teve fumaça laranja, balão com a cor da sigla e estrutura visual que remete a lançamento de campanha, mesmo ainda fora do período eleitoral.

No discurso, o parlamentar tentou associar o início da nova fase a lideranças internacionais de direita e projetou um cenário de polarização no Estado.

“Eu ouvi chamarem Bolsonaro de doido, Trump, Milei e vi eles começarem da mesma forma que nós estamos começando hoje. Digo, hoje está definido: terá segundo turno no Mato Grosso do Sul. É um bom caminho, um novo caminho”, afirmou, sem citar pesquisas ou dados que sustentem a previsão.

Símbolos no marco zero

O local do ato foi explorado politicamente. Ao falar diante do Monumento dos Desbravadores, no ponto conhecido como marco zero da capital, Catan resgatou a figura de José Antônio Pereira, fundador de Campo Grande, para defender que um “novo projeto” para o Estado começa naquele ponto.

“Aqui, no marco zero, tem o símbolo da nossa Capital, o Monumento dos Desbravadores. Em 1872, quando chegou aqui, José Antônio Pereira estabeleceu neste lugar o primeiro núcleo de Campo Grande. E vocês acham que ele esperou e recebeu a casa pronta, a porta aberta, a janela? Não! Ele enfrentou e construiu Campo Grande; e nós, juntos, vamos construir um novo projeto para Mato Grosso do Sul, que começa a ser escrito agora”, disse.

Saída do PL

A filiação ao Novo ocorreu poucos dias após Catan anunciar, da tribuna da Assembleia Legislativa, sua saída do PL, partido pelo qual foi eleito. A ruptura se deu depois de movimentos internos da sigla em direção ao apoio à reeleição do governador Eduardo Riedel, o que realinhou o PL ao grupo que comanda o Executivo estadual.

Ao justificar a desfiliação, Catan tenta afastar a ideia de mudança de campo político e sustentar que a alteração é apenas de legenda.

“Não estamos mudando de lado, estamos reafirmando o nosso lado. O lado das famílias. O lado de quem trabalha e sustenta este Estado. Traçando um novo caminho para quem acredita que Mato Grosso do Sul pode ser muito mais do que a velha política oferece”, declarou.

Política de rua e atuação dentro do sistema

Na fala ao público, Catan voltou a defender o que chama de “política no chão”, em contraposição à “política de gabinete”. Antes do ato principal, o parlamentar participou de uma ação de filiação em 30 pontos de Campo Grande, percorrendo cerca de 110 quilômetros por bairros como Nova Lima, Paraty, Moreninhas, Coopharádio, Aero Rancho e Rita Vieira.

Ele relaciona essa estratégia à caminhada de 200 quilômetros que fez de Paracatu (MG) a Brasília no início do ano, apresentada como gesto simbólico por um “novo país”. O roteiro pelas ruas da capital sul-mato-grossense teve como objetivo aproximar o discurso da realidade dos bairros e reforçar a imagem de um político disposto a circular pelo território urbano onde deve concentrar sua base.

Estratégia do partido e expectativas para 2026

O presidente estadual do Novo, Guto Scarpanti, classificou a filiação como “decisiva” para o projeto da sigla em Mato Grosso do Sul. Segundo ele, Catan representa valores como liberdade econômica, defesa da propriedade privada, combate à corrupção, à impunidade e aos privilégios, bandeiras que o partido afirma querer colocar em evidência no Estado.

Com a pré-candidatura ao governo, a sigla testa sua capacidade de se apresentar como opção real no campo da direita.

No encerramento do ato, Catan reforçou o tom adotado desde o anúncio da saída do PL.

“O povo quer coragem. O povo quer verdade. O povo quer quem tenha lado. Seguimos firmes, construindo uma direita coerente, moderna, que não se rende à pressão, que não se curva ao sistema e que não troca convicção por conveniência. Vamos juntos construir o novo capítulo dessa caminhada”, disse.