Busca rápida na internet localiza todas as imagens usadas no documento elaborado pelo escritório de Viviane Barci de Moraes.
O contrato milionário firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, ganhou novos questionamentos após a constatação de que o Código de Ética e Conduta da instituição utiliza imagens facilmente encontradas na internet.
Uma busca rápida em ferramentas como o Google permite localizar todas as 15 imagens utilizadas ao longo do documento, muitas delas disponíveis em bancos de imagens e já usadas em reportagens e artigos corporativos antes mesmo da publicação do material pelo banco.
O caso chama atenção porque o acordo entre o Master e o escritório de Viviane Barci envolve R$ 129 milhões e tinha como foco justamente a área de compliance e integridade corporativa.
O Código de Ética, com 34 páginas, apresenta orientações internas sobre temas como corrupção, conduta profissional e relacionamento com concorrentes. Porém, as imagens utilizadas para ilustrar os capítulos do documento não são originais.
Imagens de banco de dados
Entre os exemplos, uma montagem utilizada no capítulo “Relacionamento com concorrentes”, que mostra executivos equilibrando-se em escadas diante de gráficos corporativos, já havia sido publicada em 2018 em uma reportagem da revista Forbes, com crédito para o banco de imagens Shutterstock.

Outro caso aparece no capítulo sobre corrupção, ilustrado por uma fotografia de um homem recusando um maço de dinheiro. A mesma imagem foi utilizada em 2024 em um artigo da Associação dos Bancos (Assban) sobre programas de compliance.

Esse padrão se repete ao longo do documento: todas as imagens utilizadas podem ser encontradas facilmente na internet, em bancos de dados de fotos genéricas amplamente usados em materiais institucionais.
Contrato milionário para compliance
O escritório Barci de Moraes informou que foi contratado pelo Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.
O arquivo final do código de ética, datado de março de 2025, aponta como responsável pela elaboração Ana Cláudia Consani de Moraes, consultora do escritório.
Procurada, a banca afirmou apenas que “já se manifestou por meio de nota pública sobre o escopo dos serviços prestados ao Banco Master”.
Contradição com investigações
O episódio chama ainda mais atenção porque o serviço contratado dizia respeito justamente à área de compliance e integridade corporativa.
Isso ocorre ao mesmo tempo em que investigações da Polícia Federal apontam que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria integrado uma organização criminosa, descrita pelos investigadores como uma espécie de “milícia privada”, que utilizaria violência e coação.
Vorcaro está atualmente preso em um presídio de segurança máxima em Brasília.
Carta sobre ética
No próprio Código de Ética e Conduta do Banco Master, o primeiro item do documento é uma carta assinada pelo banqueiro aos funcionários da instituição.
No texto, Vorcaro afirma que “a ética e a transparência são pilares fundamentais” para a atuação do banco.
A declaração contrasta com o cenário revelado pelas investigações, que apontam suspeitas graves envolvendo a atuação do banqueiro e de pessoas ligadas ao grupo.