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Operação expõe participação de policiais em esquema criminoso

Quando o aparato de segurança passa a operar a favor do crime

Um dos pontos mais sensíveis revelados pela Operação Iscariotes é a participação direta de agentes de segurança pública no funcionamento da organização criminosa.

Foram presos preventivamente os policiais civis Célio Rodrigues Monteiro, conhecido como “Manga Rosa”, e Edivaldo Quevedo da Fonseca. Os mandados foram cumpridos em residências e também em unidades policiais.

De acordo com a apuração, os agentes não apenas tinham conhecimento das atividades ilícitas, mas atuavam de forma ativa, incluindo:

  • acesso e repasse de informações sigilosas de sistemas policiais

  • monitoramento de ações de fiscalização

  • apoio logístico no transporte de mercadorias

A presença de agentes públicos confere ao esquema um grau de proteção e previsibilidade que dificulta a atuação repressiva.

No caso de “Manga Rosa”, chama atenção o histórico. O investigador já havia sido alvo de operações anteriores, como a Omertà, em 2020, e a Snow, em 2024, ambas relacionadas a organizações criminosas. Ainda assim, permanecia na ativa, com remuneração superior a R$ 14 mil.

Além das prisões, a Justiça determinou:

  • afastamento de servidores públicos

  • suspensão de porte de arma

  • uso de tornozeleira eletrônica em investigados

  • bloqueio de bens de pessoas físicas e jurídicas

As investigações também apontam que policiais — inclusive aposentados — eram recrutados para fornecer suporte estratégico ao grupo, ampliando a capacidade de atuação da organização.

A atuação das corregedorias foi acionada, mas até o momento não houve manifestação oficial detalhada sobre os casos.

Operação revela padrão conhecido: crescimento do ilícito, tolerância silenciosa e resposta apenas quando o dano já é elevado

A Operação Iscariotes é robusta, mobiliza centenas de agentes e produz números expressivos. Mas ela também levanta uma pergunta inevitável: por que estruturas desse porte conseguem operar por tanto tempo?

O padrão se repete:

  1. O esquema cresce

  2. Consolida-se financeiramente

  3. Expande sua rede

  4. Só então é alvo de grande operação

Quando a resposta chega, o prejuízo já está consolidado — seja em arrecadação perdida, seja na corrosão da confiança institucional.

O nome da operação, uma referência à traição, é simbólico. Não apenas pela conduta de agentes envolvidos, mas pela percepção de que o sistema falha em proteger o interesse público.