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Após operação da PF, Camelódromo reabre com interdições e investigação em curso

Cinco boxes permanecem interditados após Operação Iscariotes, que apura contrabando, lavagem de dinheiro e atuação interestadual de organização criminosa

Após a deflagração da Operação Iscariotes, o Camelódromo de Campo Grande retomará o funcionamento normal nesta quarta-feira (18), ainda sob os efeitos diretos de uma das maiores ações recentes de combate a crimes fazendários na região.

Apesar do forte aparato policial registrado nas primeiras horas do dia, com bloqueios de acesso, cumprimento de mandados e apreensão de mercadorias, o centro comercial abrirá as portas ao público. A informação foi confirmada pelo presidente do Camelódromo, Narciso Soares, que garantiu a continuidade das atividades dos comerciantes não atingidos pela investigação.

A normalização, no entanto, não é completa. Pelo menos cinco boxes permanecerão interditados, diretamente ligados aos alvos da operação conduzida pela Polícia Federal, com apoio da Receita Federal.


Operação revela estrutura que vai além do comércio local

A ação faz parte da Operação Iscariotes, que investiga uma organização criminosa suspeita de atuar em contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro, com ramificações que ultrapassam Mato Grosso do Sul.

De acordo com as apurações, o grupo operava com a importação irregular de eletrônicos de alto valor, que ingressavam no país sem documentação fiscal e sem passar pelos controles aduaneiros. Após a entrada ilegal, os produtos eram distribuídos tanto em Campo Grande quanto em outros estados, especialmente em Minas Gerais.

A dimensão da investigação é expressiva. A Justiça Federal expediu cerca de 90 ordens judiciais, incluindo:

  • mandados de busca e apreensão

  • prisões preventivas

  • bloqueio de bens

As ações foram cumpridas em cidades de Mato Grosso do Sul e também em Minas Gerais, evidenciando o caráter interestadual da organização.


Reabertura não apaga os efeitos da operação

Embora o funcionamento do Camelódromo seja retomado, a operação deixa marcas evidentes. A interdição de boxes e a apreensão de mercadorias reforçam que parte da atividade econômica no local estava inserida em um contexto investigado por ilegalidade.

A manutenção das atividades, por outro lado, também evidencia um ponto relevante: a atuação criminosa identificada não representa a totalidade dos comerciantes, mas sim núcleos específicos dentro do centro comercial.

Ainda assim, o episódio reacende o debate sobre fiscalização, controle e a recorrente presença de produtos de origem irregular em mercados populares.


Investigações seguem e novos desdobramentos não são descartados

A Polícia Federal informou que as investigações continuam, com o objetivo de identificar outros envolvidos e aprofundar a compreensão da estrutura da organização criminosa.

A expectativa é de que novos desdobramentos ocorram a partir da análise do material apreendido, incluindo documentos, equipamentos eletrônicos e registros financeiros.