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Presidente estadual do PDT promete judicializar caso após desfiliação de Marquinhos fora da janela; veja detalhes

A saída do vereador de Campo Grande, Marquinhos Trad (agora no PV), abriu uma nova frente de crise dentro do PDT em Mato Grosso do Sul. O presidente estadual da sigla, Carlos Eduardo Gomes, o “Cadu”, afirmou que deve ingressar com uma ação judicial contra o parlamentar, alegando infidelidade partidária por mudança fora da janela.

A movimentação, no entanto, encontra resistência dentro do próprio partido. Isso porque a desfiliação de Marquinhos foi acompanhada de uma carta de anuência formal, assinada pelo vice-presidente estadual do PDT, Enelvo Felini, autorizando expressamente a saída sem penalidades.

Nos bastidores, o novo posicionamento de Cadu marca uma tentativa de reafirmar autoridade dentro de um diretório que já acumula conflitos internos. Segundo apuração, o dirigente, que reside no Rio de Janeiro e comanda o partido à distância, avalia que a saída de Marquinhos, fora da janela partidária, pode resultar na perda do mandato.

A reação, porém, também é interpretada como uma resposta à exposição pública da fragilidade do PDT no Estado, especialmente após a divulgação da carta assinada por Felini.

Cadu assumiu o comando do partido após um racha com o deputado estadual Lucas de Lima, que deixou a sigla e hoje integra o PL. Desde então, o PDT-MS tem enfrentado dificuldades para se reorganizar politicamente.

Carta de anuência enfraquece tese de infidelidade

O principal ponto de defesa de Marquinhos Trad está no documento oficial emitido pelo próprio partido.

Na carta, o vice-presidente Enelvo Felini não apenas autoriza a desfiliação, como também reconhece publicamente limitações estruturais do PDT em Mato Grosso do Sul.

Entre os trechos mais relevantes, o documento aponta:

Dificuldade do partido em montar nominata competitiva para as eleições de 2026

Falta de condições mínimas para filiados com mandato disputarem cargos proporcionais

Admissão de isolamento político da sigla no Estado

Conflito entre a linha estadual e a orientação nacional do PDT

Além disso, Felini justificou a decisão alegando urgência, ausência do presidente estadual no Estado e até tentativa frustrada de contato com o presidente nacional, Carlos Lupi.

O documento também reforça o peso político de Marquinhos Trad, destacando sua trajetória e votação expressiva nas eleições de 2024, quando foi o vereador mais votado de Campo Grande.

Defesa de Marquinhos ganha força nos bastidores

Nos bastidores políticos, a avaliação predominante é de que a carta de anuência pode ser decisiva em eventual disputa judicial, uma vez que a legislação eleitoral admite exceções à regra de fidelidade partidária quando há autorização formal da legenda.

Aliados de Marquinhos sustentam que:

A saída foi negociada e formalmente autorizada

O próprio partido reconheceu incapacidade de viabilizar candidatura competitiva

Houve boa-fé do parlamentar, que buscou regularizar a situação antes da troca

Além disso, o argumento político também pesa: Marquinhos deixou o PDT justamente para viabilizar candidatura a deputado federal, diante da ausência de estrutura partidária no Estado.

Histórico de crises no PDT-MS

A atual disputa não é um caso isolado. O PDT sul-mato-grossense vive uma sequência de embates internos e judiciais.

O partido já enfrentou:

Disputa com o deputado Lucas de Lima, que também deixou a sigla alegando falta de espaço

Desentendimentos com o deputado federal Dagoberto

Questionamentos sobre a condução estadual sob intervenção

A nomeação de Cadu como interventor, em vez de um presidente local, também é vista como um dos fatores que contribuíram para o distanciamento entre a direção e a base no Estado.

Pressão interna e reação pública

A crise ganhou ainda mais visibilidade após manifestações públicas. O suplente Salah Hassan passou a criticar duramente Enelvo Felini nas redes sociais, antecipando o clima de judicialização dentro da legenda.

As críticas indicam que a decisão do vice-presidente não teve consenso interno, aprofundando a divisão no diretório estadual.

Cenário incerto para 2026

O episódio ocorre em meio à indefinição sobre o futuro do PDT em Mato Grosso do Sul. Conforme apurado, o partido avalia dois caminhos:

Lançar o advogado Adauto Souto ao governo e tentar montar chapa própria

Ou repetir o movimento de outras siglas e ficar fora da disputa majoritária e proporcional, atuando apenas nos bastidores

Curiosamente, a própria carta de anuência menciona a dificuldade de formação de nominata, reforçando o cenário de fragilidade eleitoral.

Disputa deve ir para a Justiça

Com posições conflitantes dentro da própria legenda, o caso deve acabar no Judiciário. De um lado, Cadu tenta sustentar a tese de infidelidade partidária. De outro, Marquinhos Trad se ampara em um documento oficial que, em tese, legitima sua saída.

No meio do embate, o episódio escancara um PDT dividido, fragilizado e com dificuldades de se estruturar politicamente no Estado — enquanto um de seus principais quadros busca viabilizar novos caminhos fora da sigla.