Para muitas famílias, participar de um evento público vai muito além de escolher a
programação. É preciso pensar nos sons, nas luzes, no movimento e nos estímulos. O que
para alguns é diversão, para outros pode significar sobrecarga.
Mas essa realidade começa a mudar em Campo Grande. Já é lei no município o projeto de
autoria da vereadora Ana Portela que garante a implantação de salas de integração
sensorial em espaços públicos.
Mais do que atender eventos, a medida amplia o cuidado no dia a dia. As salas deverão ser
implantadas, de forma gradual, em locais de atendimento direto à população, como
unidades de saúde, escolas, centros de assistência social, terminais de transporte coletivo e
repartições públicas.
Crianças neurodivergentes sentem de forma diferente e, em ambientes com excesso de
barulho, vozes e estímulos visuais, o corpo responde com desconforto, ansiedade e até
impossibilidade de permanecer no local.
As salas sensoriais são espaços pensados com cuidado: ambientes mais tranquilos, com
estímulos controlados, que ajudam na regulação sensorial. São nesses locais que a criança
pode respirar, se reorganizar e, aos poucos, se sentir pronta para voltar e aproveitar o
momento como merece.
Para a vereadora, é justamente esse olhar que precisa estar presente nas decisões que
impactam a vida das pessoas. “Inclusão de verdade não fica apenas no discurso. Ela se
torna realidade quando atende todos da maneira que merecem”, afirma.
Com a iniciativa, Campo Grande dá um exemplo de sensibilidade e responsabilidade,
mostrando que é possível construir uma cidade onde mais famílias possam viver momentos
de lazer com tranquilidade, segurança e, principalmente, pertencimento.