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Operação “Buraco Sem Fim” mira esquema milionário do tapa-buraco e prende ex-secretário de obras de Campo Grande

Investigação aponta fraudes sistemáticas em contratos que somam R$ 113 milhões desde 2018; dinheiro vivo foi encontrado durante operação

Campo Grande amanheceu nesta terça-feira (12) no centro de uma das maiores operações contra supostos esquemas de corrupção envolvendo contratos públicos de infraestrutura urbana dos últimos anos. Batizada de “Buraco Sem Fim”, a ofensiva do Ministério Público de Mato Grosso do Sul revelou suspeitas de fraudes sistemáticas em contratos de tapa-buraco que, juntos, ultrapassam R$ 113 milhões.

A operação foi deflagrada pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), em conjunto com o Gaeco (Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado), a Unidade de Apoio à Investigação do CI/MPMS e a 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público de Campo Grande.

Ao todo, foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 10 mandados de busca e apreensão em Campo Grande.

Entre os presos está o ex-secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) e atual diretor-presidente da Agesul, Rudi Fiorese. Também foram presos o engenheiro Mehdi Talayeh e o gestor de projetos Edivaldo Aquino Pereira, ambos ligados à estrutura da Sisep.

Segundo o Ministério Público, as investigações apontam que o grupo teria atuado manipulando medições de serviços executados em vias públicas, permitindo pagamentos por serviços supostamente não realizados ou executados parcialmente.

Na prática, conforme descrevem os investigadores, o esquema teria possibilitado o desvio de recursos públicos ao mesmo tempo em que a população continuava enfrentando ruas deterioradas e problemas recorrentes de infraestrutura.

“As evidências revelaram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados”, afirmou o MPMS em nota oficial.

DINHEIRO EM ESPÉCIE CHAMOU ATENÇÃO DOS INVESTIGADORES

Um dos pontos que mais chamou atenção durante o cumprimento dos mandados foi a apreensão de grandes quantias em dinheiro vivo nas residências dos investigados.

Segundo o Ministério Público, foram encontrados pelo menos R$ 429 mil em espécie.

Na casa de um dos alvos, os agentes localizaram R$ 186 mil em notas. Em outro imóvel, foram apreendidos mais R$ 233 mil.

As imagens das apreensões passaram a circular rapidamente nos bastidores políticos e jurídicos do Estado, aumentando ainda mais a repercussão da operação.

Os investigadores agora tentam identificar a origem dos valores apreendidos e se o dinheiro possui ligação direta com os contratos investigados.

EMPRESA RECEBEU MAIS DE R$ 113 MILHÕES

Levantamento do MPMS aponta que a empresa investigada acumulou contratos e aditivos que somam R$ 113.702.491,02 entre os anos de 2018 e 2025.

A suspeita é de que parte desses pagamentos tenha ocorrido mediante fraude em medições técnicas e validações administrativas dentro da própria estrutura da Sisep.

Os investigadores trabalham com a hipótese de uma atuação coordenada entre agentes públicos e integrantes da empresa responsável pelos contratos.

A decisão judicial que autorizou as prisões e buscas foi expedida no âmbito de investigação sobre crimes contra a administração pública, organização criminosa, fraude contratual e outros delitos correlatos.

GOVERNO EXONEROU RUDI APÓS PRISÃO

Horas após a prisão de Rudi Fiorese se tornar pública, o Governo de Mato Grosso do Sul confirmou sua exoneração da presidência da Agesul.

Fiorese havia assumido o comando da agência estadual em fevereiro deste ano, após deixar a Sisep em 2023.

Por meio da defesa, o advogado Werther Sibut de Araújo afirmou que irá se pronunciar somente após ter acesso integral ao processo.

“Preciso primeiro ter acesso ao processo para depois fazer qualquer tipo de pronunciamento”, declarou.

MARQUINHOS TRAD DIZ ESTAR TRANQUILO

Procurado pela reportagem após a operação, o ex-prefeito Marquinhos Trad afirmou estar tranquilo em relação aos contratos firmados durante sua administração.

“De ilegalidade contratual, eu afirmo que não existe. Tanto que na época todos os órgãos de controle validaram e minhas contas foram aprovadas. Se teve irregularidade na execução, eu não consigo saber, porque não é da alçada do prefeito”, declarou.

A fala ocorre em meio ao avanço das investigações sobre possíveis irregularidades na execução prática dos contratos de infraestrutura urbana.

INVESTIGAÇÃO PODE TER NOVOS DESDOBRAMENTOS

Nos bastidores do Ministério Público, a avaliação é de que a operação desta terça-feira representa apenas uma etapa da investigação.

A análise de documentos apreendidos, aparelhos eletrônicos e movimentações financeiras poderá abrir novos caminhos investigativos nos próximos meses.

Fontes ligadas à apuração não descartam novas fases da operação, além da identificação de outros envolvidos no esquema investigado.