Investigação do Ministério Público aponta pagamentos por serviços supostamente não executados em contratos de tapa-buraco
A operação “Buraco Sem Fim”, deflagrada nesta terça-feira (12), lançou novas suspeitas sobre contratos milionários de manutenção asfáltica em Campo Grande e reacendeu o debate sobre a qualidade das vias públicas da Capital.
Enquanto equipes do Gaeco e do Gecoc cumpriam mandados na Sisep e em imóveis ligados aos investigados, um detalhe chamou atenção dos agentes: a quantidade de dinheiro armazenada em espécie.
Ao todo, pelo menos R$ 429 mil foram apreendidos durante as buscas.
Parte do dinheiro estava na residência do ex-secretário de obras e atual presidente da Agesul, Rudi Fiorese, preso preventivamente durante a operação.
Segundo o MPMS, Fiorese mantinha cerca de R$ 186 mil em dinheiro vivo em casa.
Outros R$ 233 mil foram localizados em outro endereço alvo das buscas.
A investigação aponta que o esquema funcionava por meio da manipulação de medições técnicas relacionadas aos serviços de tapa-buraco executados em Campo Grande.
De acordo com os promotores, havia pagamentos liberados por serviços que não correspondiam à execução real encontrada nas ruas.
POPULAÇÃO ENFRENTAVA BURACOS ENQUANTO CONTRATOS CRESCIAM
O caso ganhou ainda mais repercussão porque Campo Grande convive há anos com críticas constantes da população sobre a situação das ruas e a repetição de operações de tapa-buraco sem solução definitiva.
Agora, os investigadores tentam esclarecer se parte desse problema estaria ligada justamente ao modelo de execução dos contratos investigados.
O Ministério Público afirma que as fraudes permitiam enriquecimento ilícito dos envolvidos e provocavam prejuízo direto aos cofres públicos.
Nos bastidores, investigadores classificam o esquema como uma suposta estrutura de fraudes “sistemática e contínua”, funcionando ao longo de vários anos.

GOVERNO EXONEROU RUDI APÓS PRISÃO
Horas após a prisão de Rudi Fiorese se tornar pública, o Governo de Mato Grosso do Sul confirmou sua exoneração da presidência da Agesul.
Fiorese havia assumido o comando da agência estadual em fevereiro deste ano, após deixar a Sisep em 2023.
Por meio da defesa, o advogado Werther Sibut de Araújo afirmou que irá se pronunciar somente após ter acesso integral ao processo.
“Preciso primeiro ter acesso ao processo para depois fazer qualquer tipo de pronunciamento”, declarou.
MP APONTA SUPOSTA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA
De acordo com o Gecoc, as provas reunidas até o momento indicam a existência de uma organização criminosa estruturada para fraudar a execução contratual dentro da Secretaria Municipal de Infraestrutura.
A suspeita é de que medições fossem manipuladas para justificar pagamentos indevidos às empreiteiras responsáveis pelos contratos.
As empresas investigadas receberam mais de R$ 113 milhões em contratos e aditivos ao longo de sete anos.
Agentes estiveram na Sisep durante a manhã recolhendo documentos, computadores e materiais considerados importantes para a investigação.
MARQUINHOS TRAD DIZ ESTAR TRANQUILO
Procurado após a operação, o ex-prefeito Marquinhos Trad afirmou estar tranquilo em relação aos contratos firmados durante sua administração.
“De ilegalidade contratual, eu afirmo que não existe. Tanto que na época todos os órgãos de controle validaram e minhas contas foram aprovadas. Se teve irregularidade na execução, eu não consigo saber, porque não é da alçada do prefeito”, declarou.
A fala ocorre em meio ao avanço das investigações sobre possíveis irregularidades na execução prática dos contratos de infraestrutura urbana.
INVESTIGAÇÃO PODE TER NOVOS DESDOBRAMENTOS
Nos bastidores do Ministério Público, a avaliação é de que a operação desta terça-feira representa apenas uma etapa da investigação.
A análise de documentos apreendidos, aparelhos eletrônicos e movimentações financeiras poderá abrir novos caminhos investigativos nos próximos meses.
Fontes ligadas à apuração não descartam novas fases da operação, além da identificação de outros envolvidos no esquema investigado.