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Do tapa-buraco à Agesul: gestão de Fiorese movimentou R$ 15 milhões para empresa ligada a presos da operação

Investigação do Gecoc aponta suspeita de fraude em medições, pagamentos por serviços não executados e desvio de recursos públicos em contratos que chegam a R$ 113,7 milhões

Preso preventivamente na Operação “Buraco Sem Fim”, o ex-secretário municipal de Infraestrutura de Campo Grande e ex-diretor-presidente da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), Rudi Fiorese, assinou em pouco mais de três meses uma série de empenhos, reajustes e aditivos que somam ao menos R$ 15,8 milhões em favor da Construtora Rial Ltda., empresa que está no centro das investigações conduzidas pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção).

A operação, desencadeada nesta terça-feira (12), apura suspeitas de fraudes em contratos de tapa-buraco na Capital, incluindo manipulação de medições, pagamentos por serviços supostamente não executados e possível desvio de recursos públicos.

Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, os contratos da Prefeitura de Campo Grande que serão analisados chegam a R$ 113,7 milhões entre os anos de 2018 e 2025.

Linha do tempo da movimentação milionária

Rudi Fiorese assumiu oficialmente o comando da Agesul em 2 de fevereiro deste ano. Apenas sete dias depois, em 9 de fevereiro, assinou um aditivo contratual que ampliou em R$ 1.515.539,73 um contrato de manutenção rodoviária em Três Lagoas executado pela Construtora Rial.

Com o reajuste, o contrato saltou de R$ 11,5 milhões para aproximadamente R$ 13 milhões.

O documento foi assinado em conjunto com o empresário Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, proprietário da Rial e um dos presos preventivamente durante a operação.

Ainda em fevereiro, a sequência de liberações financeiras chamou atenção pela velocidade e volume dos valores autorizados. Conforme publicações do Diário Oficial do Estado, a Agesul autorizou empenhos de:

R$ 1,5 milhão

R$ 500 mil

R$ 622 mil

R$ 1,1 milhão

R$ 85 mil

R$ 1,2 milhão

Já em março, novos empenhos ligados à empresa ultrapassaram a marca de R$ 6 milhões.

Em abril, outro empenho de R$ 1 milhão foi autorizado para obras de drenagem e pavimentação no Bairro Otaviano Pereira, em Jaraguari.

Além dos novos valores liberados, Fiorese também assinou termos de renovação excepcional de contratos firmados ainda em 2021, garantindo a continuidade da atuação da empreiteira por mais 12 meses em serviços de manutenção rodoviária em Camapuã e Três Lagoas.

Contratos chegam a R$ 27,7 milhões

Somados, os contratos atualizados vinculados à Construtora Rial alcançam R$ 27,7 milhões. Os R$ 15,8 milhões identificados pela reportagem correspondem especificamente aos empenhos, reajustes e movimentações autorizadas durante o curto período em que Fiorese esteve à frente da Agesul.

Embora a investigação do Gecoc esteja focada em contratos ligados à Prefeitura de Campo Grande, os documentos publicados no Diário Oficial revelam que a empreiteira continuou acumulando liberações financeiras também na esfera estadual.

Dinheiro em espécie e prisões

A Rial aparece como peça central da investigação. O empresário Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa e o pai dele, Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, foram presos preventivamente.

Durante as diligências, foram apreendidos R$ 429 mil em espécie. Conforme mostrou anteriormente o portal O Contribuinte, mais da metade do montante estava na residência de Antônio Roberto. Outros R$ 186 mil em dinheiro vivo foram encontrados na casa de Rudi Fiorese.

Além do ex-secretário, a operação também resultou na prisão de servidores ligados ao setor de tapa-buraco da Capital, entre eles o engenheiro Mehdi Talayeh e o gerente Edivaldo Aquino Pereira, ambos posteriormente exonerados.

A investigação segue em andamento e deve aprofundar a análise sobre medições de obras, execução contratual e fluxo financeiro envolvendo contratos milionários de infraestrutura em Campo Grande.